AS AVENTURAS DE THADEU E ANA NO ORIENTE

Palavra do dia:

Roubar: yasriq

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Hóspedes em minha casa são sempre bem-vindos, agora quando a visita é da família é muito melhor!!!

Mês passado meu pai (Thadeu) e sua namorada (Ana Paula) vieram me visitar aqui no Egito. Tudo ocorreu de uma forma bastante surreal. Isso porque sempre achamos que visitas de família nunca vão acontecer. É engraçado, mas é verdade. A gente sempre pensa que as promessas vão ser só de boca e que por mais que as pessoas queiram te visitar, isso nunca vai ocorrer de fato. Mas ocorreu…

Quando fui ao Brasil em julho, meu pai havia dito que em breve estaria me visitando. Fizemos vários planos, mandei um e-mail com datas ideais para a visita e tudo mais. Mas lá no fundinho eu achava que a visita não aconteceria neste ano ainda. Um dia, estávamos falando ao Skype e meu pai disse:

Thadeu e Ana Paula

– Filha, compramos as passagens!!!!

– UEEEEEEEEEBBBBBBBBBAAAAAAAAA!!!!

SHOWWWWWWWWWW, como diria meu pai. Na verdade essa é a palavra preferida dele!

Eles chegaram logo no início de setembro, juntinho do fim do Ramadan. Logo na chegada, a primeira surpresa…

Estávamos eu e Rodrigo esperando por eles no saguão do aeroporto, e mesmo para os padrões egípcios, estavam demorando a sair. O vôo deles era via Dubai e eles haviam pernoitado lá. No momento que eles saem pela porta eu percebi que algo estava faltando… As bagagens!!

– Pai, cadê as tuas malas??

– Não sei, acho que estão em um depósito do aeroporto porque elas vieram antes.

– Depósito???? Como vieram antes? Não tem vôo antes!

– Sim, a moça de São Paulo me disse que as malas viriam direto para o Cairo!

– ???????????????

Estávamos achando aquilo muito estranho e como o inglês dos dois não é nada fluente, logo percebi que havia um mal entendido. Voltamos até a saída do desembarque e eu pedi ao segurança que meu pai entrasse novamente e fosse até o balcão de reclamação de bagagens. Quando voltei perguntei à Ana:

– Ana, vocês olharam na esteira de bagagens né?

– Não! Fomos direto para a saída porque teu pai disse que não estariam lá.

– Não acreditoooooo!!!!!! Vocês nem olharam a esteira???

Neste momento volta meu pai lá de dentro com aquela cara de “OPS”, carregando todas as malas.

– Elas estavam na esteira!

– Não brinca!!!!!!

Pegamos o carro e logo na saída do estacionamento do aeroporto eles já recebem o famoso “Welcome to Cairo”. O trânsito do estacionamento estava uma bagunça. Meu pai ficou apavorado!! Ele não acreditava nas “proezas” dos motoristas. Em dois segundos ele estava agarrado na alça do teto do carro (famoso “puta merda”)!!! Não preciso dizer que a viagem toda até em casa foi uma grande aventura para eles!

No dia seguinte íamos direto para Sharm El Sheikh!!

A Van nos buscou as sete horas da manhã e chegamos em Sharm aproximadamente as duas da tarde. O calor estava insuportável e fomos direto para a praia. O mar estava maravilhoso como sempre. Mergulhamos, tomamos sombra (porque sol era impossível), e a noitinha, fomos ao centrinho.

Após o jantar, uma pausa para a cerveja e para a Sheesha. Quem vem ao Egito tem que fumar Sheesha!

Passeamos muito, andamos de barco, mergulhamos em vários lugares, fizemos compras e infelizmente já estava na hora de voltar. Mas para eles a aventura só estava começando.

As palavras do meu pai ao voltar de Sharm foram:

– SHOWWWWWWWWWWWWWWWW!!!

As da Ana…

– Show né Thadeu???

Aqui no Cairo fizemos o de praxe. Pirâmides, Khan Al Khalili, Cidadela, Museu, etc. Aqui cabe um conselho aos turistas. Quando forem ao Museu, contratem um guia! O passeio fica muito mais esclarecedor! É baratinho e vale muito à pena! Descobri sobre coisas que não tinha a menor idéia do que se tratavam.

Tudo os deixava fascinados, mas o que mais chocava era o contraste social. Eles ficaram assustados com a pobreza e a sujeira do Egito. Todos ficam!! Ver as pessoas nas ruas, caminhando sobre o lixo choca a qualquer um. Se deparar com os prédios inacabados e sem janelas é inacreditável aos olhos. As lojas com comidas expostas nas ruas, a sujeira dos restaurantes, tudo isso também faz parte do cartão postal da cidade.

Meu pai não cansava de dizer que aquela lição ele jamais esqueceria. A Ana por sua vez, lutava contra os odores que provinham dos motoristas de taxi. Hehehehe. Ela tem um nariz muito sensível tadinha! (brincadeirinha Ana, mas não podia deixar passar)

Dia engraçado foi quando resolvemos conhecer o Azhar Park. Um parque municipal bem bonito aqui no Cairo. Eu nunca havia estado neste parque e enquanto esperávamos um amigo que almoçaria conosco, ficamos observando as pessoas. Melhor, ficamos mais é sendo observados, isso sim. Parecíamos extraterrestres no meio daquela gente. As pessoas curiosas ao nosso respeito chegavam a tirar fotos nossas às escondidas. Ao entrar no parque percebi como falta diversão para este povo. Os adolescentes estavam tomando banho nos chafarizes do parque!! (Pareciam a Suzana Vieira em Paris). Aquelas meninas todas tapadas com seus véus, se refrescando e pulando sobre as águas. Meeeedddddooooooo!

Cidade do Lixo

Após esses momentos de emoção, fomos conhecer a cidade do lixo e o Monastério de São Simão, localizados num bairro muito pobre chamado Moqattan. A igreja que é toda esculpida na pedra é um lugar muito bonito. Construída dentro de grutas, é uma das principais igrejas Cristãs do Cairo. Pretendo falar sobre estes assuntos num próximo Post.

Daquele ponto da cidade, por ser uma região alta, avista-se a Cidade do Lixo. Ali vivem as pessoas que sobrevivem da reciclagem e o local parece ter uma vida independente do resto do Cairo. Ao subirmos em um prédio em construção, a fim de ver a paisagem, o choque da visão nos deixou mudos!

É realmente apavorante. O cheiro, as construções e as pessoas se misturando àquela paisagem. Meu pai avistou um prédio que em sua cobertura, havia uma criação de cabritos. Mais de trinta animais vivendo no topo de um prédio. Chegamos à conclusão de que nunca mais comeremos cabrito por aqui!!!

Quando olhamos para o lado, após cinco minutos de reflexão sobre a vida, embriagados com o cheiro insuportável do lixo que nos cercava, percebemos que alguém estava faltando…

Onde está a Ana???

Ela já estava na escada do prédio quase a ponto de rever o almoço. Com aquela carinha de: – Por favor, vamos embora daquiiiiiii!!!!!

Fomos embora, mas guardamos as imagens para sempre!

O restante dos dias foram super agradáveis. Fomos aos diversos pontos turísticos obrigatórios. Eu e o Rodrigo os levamos em restaurantes super bons. Andamos de Feluca (barco do Nilo). Apresentamos os dois à alguns de nossos amigos e nos divertimos muitos. Deu para cansar o casal.

Nosso próximo destino seria Dubai!!!

Estávamos em vôos separados e eu cheguei em Dubai antes deles. Quando eu e minha amiga Camila, que estava gentilmente nos ciceroneando na cidade, pois é guia turística lá (http://www.dubaitheway.com), fomos buscá-los no aeroporto, logo veio a outra surpresinha do casal.

– Poxa minha filha, tive que pagar quatrocentos dólares pelo hotel…

No começo eu achei que era brincadeira dele, mas quando estávamos já no carro a caminho do hotel, entendi melhor a história…

– Como assim, pagou o hotel no aeroporto?

– Sim, o rapaz da Emirates disse que eu tinha que pagar, além do visto, mais quatrocentos dólares de hotel.

Eu e a Camila achamos aquilo muito estranho e ao chegarmos no hotel, percebemos que estávamos certas.

– Não Senhor. O hotel deve ser pago aqui, não no aeroporto!

Lá voltamos nós ao aeroporto para esclarecer a situação!

Ninguém sabia nos informar onde era o departamento que nos atenderia e após caminhamos cerca de uma hora e meia pelo terminal, finalmente achamos o balcão que deveríamos prestar a reclamação.

Falamos ao telefone com o famoso “rapaz da Emirates” e ele disse que havia cobrado apenas o visto. Explicou que não cobrou o hotel em momento algum e se havia ocorrido um roubo, seria do caixa do banco. Fomos à polícia.

Explicamos o ocorrido pela vigésima vez e a esta altura ninguém mais entendia nada. O policial fez mil perguntas e finalmente nos levou até o local onde estava o guichê do banco. O atendente não estava mais lá e então refizeram todo o fechamento do caixa para ver se não havia dinheiro sobrando…

Várias hipóteses vinham em nossas cabeças e então eu perguntei ao meu pai…

– Pai, tu tem certeza que não confundiu “four hundred dolars” com “one hundred e four”? (quatrocentos dólares com cento e quatro)

Vamos combinar que é beeemmmm parecido né?

A dúvida pairava no ar… Mas uma coisa era certa, havia sumido uma boa quantia de dinheiro.

O policial até tentou ajudar, mas os atendentes do banco colocaram muita pressão. Diziam que deram o troco certo e que ele havia gastado. Afirmavam ter entregado uma nota de mil Dirhans (moeda dos UAE) para ele e que ele havia perdido e blá, blá, blá…

No fim, mesmo depois de olhar o sistema de câmeras, nada ficou provado e meu pai saiu sem a grana, quase sendo acusado de ter forjado a situação. Em Dubai isso pode ser um problema bem sério!

Coitada da minha amiga ficou lá nos agüentando e resolvendo tudo até a uma hora da madrugada!!

Resumo da história: O caixa enrolou meu pai no troco e embolsou cerca de trezentos dólares!

Lição da história: Confira sempre o troco!!!

Fora este episódio, Dubai foi maravilhosa e a Camila também! Muitas fotos, muita comida boa, muita diversão!

A diferença entre Dubai e Cairo é gritante. Na verdade é impossível de comparar. Lá tudo funciona, não tem lixo e o trânsito é organizado.

A Ana ficou notavelmente realizada com o lugar. Meu pai, com os carros.

Burj Al Arab

Tudo muito chique!!! Agora chique mesmo foi o café da tarde no Burj Al Arab que os dois pombinhos tomaram… Simplesmente o hotel mais caro do mundo!! Ou um deles ao menos!! Sete estrelas!!! Te mete com o casal!!! Tadinhos, não estão acostumados com tanto luxo!!! Hehehehe

Fizemos também o Safári no Deserto!! Ali sim, faltou “puta merda” suficiente. Eu e a Ana gritávamos desesperadamente a cada duna de areia que a caminhonete descia! Meu pai só ria e se agarrava onde podia!! Muita emoção!!!  Eu já havia feito antes, mas é sempre uma aventura!!!

O único probleminha é que junto conosco estava uma família de iranianos que pediu para colocar música árabe durante o passeio. Beeeemmmm alta!!! Eles batiam palmas, cantavam e brincavam dentro do carro! Nada contra as pessoas felizes, mas música árabe é o mesmo que poluição sonora e naquela altura então, o suicídio é uma opção mais agradável!!! O bafo do papai iraniano também sugestionava uma morte rápida…

Mas a viagem foi maravilhosa. Dubai é sempre perfeita.

Na verdade, eu acredito que quando estamos com pessoas que amamos, nada é ruim! Seja lá em qualquer cidade do mundo. Todos nos divertimos muito, aproveitamos cada minuto em família e mesmo nos lugares mais chocantes, ficamos sempre com a lição: Se permanecermos unidos, sempre podemos sobreviver!!!

Espero que o Thadeu e a Ana tenham aprendido muito.  Que as lições de vida do Cairo e o luxo de Dubai tenham feito alguma diferença na vida deles. Espero também, que esta seja apenas a primeira de muitas viagens que faremos juntos.

Pai, conto contigo!!! (Se é que tu me entende…)

Momentos que NÃO TEM PREÇO:

– Não olhar a esteira de bagagens…

– Confundir “Excuse-me” com “sorry” 12.432.345.000 vezes.

– Não carregar a bateria da câmera fotográfica na véspera da visita às pirâmides.

– Tomar banho no “chuveirinho” do hotel ao invés de usar a ducha própria para isso!

– Trancar o pezinho na cela do camelo!

– Ser assaltado pelo caixa do banco em Dubai!

– Perceber que aquelas aulinhas de inglês eram realmente necessárias!

Beijos

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TUDO POR ÁGUA ABAIXO!

Palavra do dia:

Semana: Usbuu

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Se me pedissem para escolher a coisa que mais me irrita aqui no Egito, certamente a primeira delas seria os SERVIÇOS, ou ainda, a QUALIDADE, ou então, a COMPETÊNCIA!! É terrivelmente impressionante como as coisas simplesmente não funcionam por aqui. Hoje vocês podem perceber que não estou de “bons amigos”, aliás, estou furiosa e frustradíssima. Vou contar para vocês o que anda acontecendo…

Logo que nos mudamos para esta casa, a cerca de quatro meses atrás, tudo parecia funcionar perfeitamente. A cozinha tinha todos os equipamentos novos, os móveis dos quartos eram ótimos, a sala, embora um tanto quanto vazia, era super bonitinha. O único problema era que a casa possuía somente um lavabo e apenas um banheiro. Já começa por aí né! Como é que eles podem construir uma casa de três quartos e apenas um banheiro??

Como estávamos muito cansados de procurar um lugar decente para morar e esta casa parecia ser uma ótima escolha, decidimos ficar com ela. A proprietária da casa foi extremamente prestativa e colocou os móveis que estavam faltando e nos ajudou em tudo aquilo que precisávamos. Mas, quando a esmola é demais o santo desconfia!

Com o passar dos dias os problemas na casa foram aparecendo.

O primeiro probleminha foi a instalação da internet que levou cerca de um mês. Como eu não sabia como funcionava, pedi a indicação da melhor empresa prestadora de internet a cabo daqui. Me indicaram uma tal de TEDATA. Liguei para a empresa e aparentemente era um procedimento simples. A atendente pegou meus dados, disse que o cabo já atendia a minha região (moro longe do centro), que era só comprar um roteador que eles mesmos forneciam por uma tarifa “básica” e em sete dias tudo estaria pronto. Inclusive viria um funcionário na minha casa entregar o roteador e pegar o dinheiro, não só do roteador, mas também do serviço. Neste momento eu questionei:

– Mas moça, eu nem comecei a usar a internet e vocês já querem me cobrar o serviço??

– É assim que funciona Madame. Amanhã o funcionário passará na sua casa e coletará o dinheiro.

– Hum, ok! (Eu queria muito a internet …)

Lembra do Inchaalá Bukra (Se Deus quiser amanhã)??

Pois é. O cara nunca apareceu. Ligava na empresa e eles me diziam bukra. Até que um dia eu fui a uma loja da TEDATA. Pedi ao atendente que verificasse qual o problema e foi aí que percebi como faltava senso de organização e lógica por aqui…

– O problema Madame, é que já existe uma linha de outro provedor instalada em sua casa.

– Mas porque a moça não me disse isso há duas semanas, quando pedi o serviço?

– É que é esse o nosso procedimento Madame. Este é o segundo passo. Verificar se o cliente pode receber o serviço.

– Ah Claro!!! Primeiro vocês cobram o dinheiro do cliente e depois verificam se ele pode ser atendido? Vocês são suuuuuuper espertos heim?E eu ficaria sabendo disso quando?

– É o procedimento Madame.

Vocês acham que eles não foram cobrar o dinheiro porque perceberam que eu já tinha outra linha? Hahaha!!! Sonhem!!! No outro dia a moça me liga dizendo que o funcionário iria a minha casa pegar o dinheiro, ainda naquela semana!!!

Resumindo, cancelei o serviço da TEDATA e fiquei com a empresa que já tinha o serviço instalado na casa. Uma tal de Link.Dot.Net. Até que foi fácil. A proprietária da casa pagou a prestação antiga que estava pendente, compramos um roteador e em três dias estávamos com o acesso ilimitado. Funcionou super bem…

Por uma semana…

Hoje, quando chegam oito horas da noite, a internet decide simplesmente não funcionar. A empresa diz que o problema é no telefone e a empresa de telefonia diz que o problema é na casa. A verdade é que as instalações são mal feitas e para resolver o problema devemos trocar toda a fiação da casa! Super simples!!!

Por favor, não me chamem depois das oito! Só estou disponível no horário comercial. Mas peraí, quando são oito horas no Egito, são quatro horas no Brasil. Isso no horário de verão brasileiro. Tem meses que chegam a ser até 6 horas de diferença. Fica super fácil falar com a família né??

Superado o problema da internet começou o problema de vazamento no. Lembra que eu disso que só tinha um banheiro?

– Amor, a pintura do teto está derretendo!!!

– Isto chama-se INFILTRAÇÃO Andréia!!!

– Showwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwww!!!!!!

Descobrimos que o problema era no vaso sanitário do banheiro que fica no andar de cima! Toda a vez que puxava a descarga, o teto desabava sobre nossas cabeças, literalmente. Meu pai e a namorada estavam para chegar e eu sabia que o problema se agravaria com mais gente na casa. Mesmo assim, fiz “vista grossa” e deixei para resolver o assunto depois que eles voltassem para o Brasil.

Outro detalhe. Estávamos no meio do Ramadan. E se as coisas já não funcionam nos meses normais, imagina no Ramadan. Iriam demorar o mês todo para consertar o problema.

Assim que as visitas foram embora, liguei para a proprietária da casa. Ela prontamente (ela definitivamente não parece egípcia) levou um encanador e consertou o problema!

Consertou?????

Só se foi a cara feia dele porque o teto continuava a se desintegrar. E agora não suficiente, a parede do banheiro começou a jorrar água. O banheiro ficava inundado!! Aquilo que começou como um problema interno das paredes estava agora, tornando-se um oceano!!!

Liguei de novo para a proprietária. Ela trouxe outro encanador.

O cara arrebentou a parede, trocou os canos, colocou silicone até dentro da banheira e…

…Hoje acordei com o banheiro alagado!!!

Para não encher mais vocês com meus problemas do cotidiano, vou contar apenas mais dois ok?

Dia destes estava lavando roupas na máquina (sim, eu aprendi!) e ouvi um barulho alto. Fui verificar e percebi que estava pisando sobre as águas. A máquina havia vazado (também). Chamamos o pessoal da assistência que, inacreditavelmente, veio no outro dia (desta vez o bukra funcionou).

Eu havia percebido que a água estava saindo por baixo da máquina, mas os “técnicos” não foram tão sagazes. Eles estavam terminando de concertar a porta da máquina quando eu, com TODO este meu árabe disse…

– A miyaah está saindo down!!!! (a água está saindo por baixo!!)

Eles me olharam e obviamente não entenderam. Me meti por entre os dois, nada comum para uma mulher no Egito e mostrei o problema. Algo que eles teriam notado se TIVESSEM LIGADO A PORCARIA DA MÁQUINA!!!

Quando eles viram a água saindo eles soltaram o famoso…

– Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!

Era apenas um caninho solto que eu rapidamente tratei de aprender a consertar. Toda vez que soltava eu ia lá, tirava a tampa da máquina e engatava o caninho de volta. Mas, como nada é fácil no Egitão, a máquina agora resolveu vazar pelo outro lado. Descobri que era excesso de roupas que eu colocava. Agora aprendi!! Lavo UMA toalha por maquinada!!! Quanta potência heim???? E olha que até consigo lavar duas fronhas juntas…

O último incidente foi com a geladeira. Lembra que falei que os equipamentos da cozinha eram novos? Certo! Mas eu nunca disse que eram bons não é? NUNCA!!!

A porta da geladeira sempre abre sozinha! Se você fecha o freezer abre a geladeira e vice-versa. Buenas!!! Estávamos cuidando para não deixar as portas abertas e certo dia, assim como todos os outros dias, me descuidei!! Ambas as portas ficaram abertas a noite toda. Eu estou acostumada com Brastemp!!!! Fazer o que!!!

O freezer havia descongelado todinho!! Atentem para o pequeno detalhe: Tinha uma Picanha, filha única, congelada! Não tem picanha aqui!!!!!! Nunca mais vou conseguir outra!!!!! Entendem a gravidade?? (Quem é gaúcho entende!!!)

Não satisfeita com o prejuízo causado, a geladeira decidiu então que não mais funcionaria!! Tipo assim: Cansei!!!! Não vou mais refrigerar a comida de vocês!

Entramos em pânico!! Tínhamos carne, frango, peixe. Fora a manteiga, os refrigerantes, as verduras… Tudo estava em risco de extinção.

Puxamos a geladeira para frente, tentamos ver onde estava o problema. Tiramos da tomada. Colocamos na tomada. Nada!!! Ela só soltava suspiros!!! Fomos dormir frustradíssimos!! Será que nada funciona aqui???? Juro que estava a ponte de chorar! Me debulhar em lágrimas parecia a solução para todos os problemas. Mas fui fortinha e respirei fundo!

No dia seguinte ela começou a dar o ar da graça novamente. Ela precisava de um tempo a coitadinha!!! Voltou a funcionar como nos velhos tempos. Bastou não ser aberta por dois dias. E eu aprendi a lição: Sempre cheque as portas!!!!

E assim vão-se os dias de minha vida. Molhados e descongelados… A expressão que mais digo nestas horas é “Welcome to Cairo”!!! Nada funciona, tudo demora e você não pode contar com ajuda!!! É tudo entre você e Aláh!!!

A Picanha??? Aláh foi misericordioso e salvou ela!!!

HAMDULILAH!!!!!

Beijão!!!

E VIVA AS DIFERENÇAS!

Palavra do dia:

Diferente: Mukhtalif

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Obviamente que vocês já devem ter percebido que existem muitas diferenças entre o Brasil e o Egito. Existem diferenças culturais, climáticas, sociais e principalmente religiosas. Muitas delas são muito difíceis de conviver e outras muito engraçadas. Hoje, vou desbravar este assunto um pouco mais com vocês.

Intimidade Masculina

Que amor!!!

Você sabia que mostrar afeto entre marido e mulher em público é praticamente proibido por aqui? O mesmo não se aplica a amigos do mesmo sexo. Principalmente entre os homens. Eles simplesmente adoram andar abraçadinhos ou de mãos dadas. Muitas vezes a “amizade é tanta” que eles dão até beijinho de esquimó. Aquele que um narizinho encosta no outro. É realmente muito estranho de se ver.

Outro dia, eu estava dentro do carro parada no engarrafamento quando um rapaz, que estava abraçado em outro, me deu uma piscadinha. Comecei a rir dele e acredito que ele não entendeu o por que!  Qualquer mulher ocidental acharia que ele é gay. Sério, foi muito ridículo. Ele fazendo aquela cara de sexy boy e eu dando gargalhadas…

Televisão

A TV egípcia possui muitos canais. Aqui todo mundo tem receptor de satélite. Não existe TV aberta do tipo liga na tomada e aparece a imagem. Você compra um aparelho de recepção e recebe uma infinidade de canais. Ao menos 90% desses canais são locais ou de países vizinhos. Os canais internacionais geralmente são pagos. Você compra um cartão e então libera aqueles de sua preferência.

Claro que existe o famoso “gato”. A maioria dos brasileiros por aqui tem. Acho que os egípcios também. A Globo Internacional é geralmente adquirida através dele, pois ela é extremamente cara. Obviamente que para você conseguir acesso é necessário um receptor específico que custa os olhos da cara, mas mesmo assim, vale a pena só para nos sentirmos mais próximos da terrinha.

Mas o que mais me choca na TV local são os cortes feitos na programação. A famosa censura! Vocês não fazem idéia do quão ridículo é. Eles cortam tudo que seja relacionado a sexo. Beijo, nudez, cenas de sexo, etc… Sabe aqueles filmes adolescentes onde a mocinha dá um beijinho no mocinho somente no final do filme?? Nem pensar!!!

Lembra do filme com a Drew Barrymore, Nunca Fui Beijada!? Pois é… Aqui, ela não foi até hoje!

O que me espanta é que as cenas de agressão, do tipo marido espancando a mulher, essas eles não cortam nem um pedacinho sequer!

Outra coisa são os clips musicais árabes. Quase todos os canais passam uma porção deles. Seja no intervalo ou durante a programação. tem sempre alguém chorando na tv. Habibiiiiiii!!!!! Oh, Habibiiiiiii!!!! Como sofrem esses árabes!!!

Tamanho Família

Refeição para toda a família

Por aqui quase tudo o que você compra vem em tamanho família. Sabonete líquido em embalagem de um litro, azeite de cinco litros, manteiga de um quilo, sabão em pó de cinco quilos e por assim vai.

Todos os restaurantes de Fast Food apresentam em seu cardápio opções para família. Pizza tamanho família, KFC (frango frito) em embalagem para família, Mc Donalds entrega especial para família.

Obviamente que isso acontece porque eles têm muitooooosssss filhos. Muitas vezes moram na casa dos sogros ou dos pais que por sua vez, também tem muitoooossssss filhos. E por assim vai. Claro que existem as embalagens tradicionais, mas são mais difíceis de encontrar.

Cortinas nas Sacadas

O Egito é um país muito quente. Seja inverno ou verão o sol é realmente castigante. Como a maioria da população não dispõe de condições para adquirir ar condicionado, o jeito é deixar as janelas abertas mesmo.

O problema é que além da brisa (quase imperceptível) o sol também entra pelas janelas. A solução é usar cortinas. O detalhe é que além das cortinas internas, aquelas que usamos dentro da nossa casa para enfeitar as janelas, os egípcios usam também cortinas externas. Eles colocam as cortinas nas sacadas dos apartamentos, na parte exterior, depois da janela.

Existem duas razões para isso. A primeira, como já disse, é o sol que esquenta os ambientes demasiadamente e a segunda, é que as mulheres não podem mostrar seus cabelos ou demais atrativos para estranhos. A fim de ficar a vontade em suas casas, sem serem vistas pelos vizinhos, elas optam por usar as cortinas nas sacadas e ainda sim ter a brisa externa.

Acaba por virar uma decoração carnavalesca. Cada prédio tem diversas cortinas penduradas de cores e estampas diferentes. Sem contar a poeira instalada no tecido que dá um charme a parte á cidade. Chega a ser um cartão postal do Egito, nada encantador.

Inchaála Bukra

“Se Deus quiser amanhã.”

Tudo que você precisar para “ontem” a resposta será a acima. Nada, nada mesmo é feito na hora e no momento que você desejar.

Se você precisar de um encanador, por exemplo, vai ligar para a companhia que presta o serviço e perguntar quando o profissional irá a sua casa. A resposta será: Inchaála Bukra!

Se você precisar consertar o carro, perguntar ao mecânico quando ele ficará pronto. A resposta será: Inchaála Bukra!!

O Problema é que o Bukra (amanhã) nunca é amanhã. Geralmente é uma semana depois. Talvez até mais. Eles nunca têm pressa para nada. Tudo pode esperar. Nada é urgente. Nada mesmo!!

Essa frase é uma das mais ouvidas aqui no Egito. Maalish è como se fosse um tipo de pode ser?? No começo você acredita que no outro dia seu problema será resolvido, depois, você apenas ri.

Área de Serviço

No Egito não existe área de serviço. Tanto nos apartamentos quanto nas casas, a máquina de lavar roupa fica ou na cozinha ou no banheiro. Tanque de lavar não é um artigo conhecido por aqui.

As roupas são estendidas nas sacadas ou dentro das casas mesmo.  Se você precisar deixar algo de molho, ou opta pelo balde ou pela banheira. Aliás, tudo é feito na banheira. Menos tomar banho é claro.

Nome Próprio

Você sabia que todo o filho (a) leva apenas o nome do pai? Mas não é apenas o sobrenome não. É tooooodo o nome. A mãe não tem direito a colocar o seu nome no bebê.

Se você tem um filho e quer batizá-lo como Marcelo, por exemplo, e seu marido se chama Fábio da Costa Silva. O nome do seu filho será Marcelo Fábio da Costa Silva. Interessante não é mesmo?

E a mulher também não pode usar o nome do marido. Ela permanece com seu nome de solteira mesmo depois do casamento e isso não é uma opção.

Outro detalhe curioso sobre o nome das mulheres é que nunca se deve chamá-las pelo nome em público. Considera-se um desrespeito. Se você estiver caminhando com sua sogra na rua e quiser chamá-la, deve chamar por sogra, nunca pelo nome dela.

As pessoas se referem às mulheres como a mãe do fulano ou esposa do ciclano. Nunca pelo nome. Apenas em casa e para com conhecidos isso é permitido.

Também é considerado desrespeitoso perguntar o nome da mãe de um homem. Ele certamente irá ficar furioso com você. Mas isso só serve se você for homem também. Mulheres não têm esse problema.

Os Demônios do Banheiro

Os egípcios mais tradicionais acreditam que o banheiro seja um lugar sujo. Eles afirmam que lá existem demônios prontos a possuir aqueles que têm pensamentos impuros. Isso por que os anjos não entram no banheiro, portanto ficamos mais vulneráveis. É no banheiro que nos “livramos” das impurezas do nosso organismo, e os “maus gênios” se alimentam de impurezas.  (Ecaaaa!!)

Nada que seja sagrado ou que possua a palavra “Alá” pode ser lido ou pronunciado no banheiro. Se você fizer isso estará atraindo meus espíritos e não estará puro para comunicar-se com Alá.

Depilação e Bronzeado

As mulheres no Egito se depilam dos pés à cabeça. Aqui isso é considerado higiene básica. No meu ponto de vista, considero dolorido. Os braços, pernas, coxas são todos lisinhos. Elas acham um absurdo a gente deixar os pelos pelo corpo. Por vezes me deparo com elas olhando para mim como se eu fosse a mulher mais suja do mundo. O engraçado é que elas se depilam todas, mas cobrem o corpo com roupas compridas… Me expliquem, para que o trabalho então???

O engraçado disso é que se você for a uma depiladora, ela provavelmente  se recusará a depilar as partes íntimas, vamos dizer assim, mais ao fundo. Nojinho???  Pode até ser. Só sei que é a maior dificuldade. Na maioria dos casos as mulheres se depilam em casa mesmo. Uma mistura de açúcar com água e mais alguma coisa que resulta num melado nojento.

Elas também odeiam se bronzear. Tem pavor do sol. Ironicamente nunca chove no Egito. Os homens também detestam marquinhas de bronze. Eles ficam apavorados ao verem os turistas tomando banho de sol. Parece que estão cometendo um crime inafiançável.

Os cosméticos campeões de vendas por aqui são os clareadores de pele. Tem de todas as marcas e tipos. Se funciona??? Hum, não sei não!! Elas continuam bem escurinhas para mim… Nós aqui, invejando a cor morena delas e elas lutando para ser mais brancas… Vai entender o ser humano!!

Transito

 

No Trânsito aqui vale de tudo. Absolutamente tudo é permitido mesmo!!

Os caminhões podem levar qualquer tipo de carga, na altura e peso que bem entenderem. As motos podem levar até cinco pessoas e também animais. As crianças andam no banco da frente sem cinto de segurança e é quase impossível ver as cadeirinhas para bebês nos carros.

As placas de trânsito são muito confusas e quando escritas em inglês, geralmente estão erradas. Dia desses vínhamos da praia e havia uma placa que dizia: CIARO 100 KM. Não seria CAIRO??? Eles trocam as letras e não fazem a menor idéia do erro. Assim como essa tem várias outras.

Semáforos são inexistentes e filas duplas, triplas e até mesmo carros estacionados em pontes e viadutos é algo muito comum de se ver. O trânsito é uma das coisas mais chocantes aqui do Egito. Só vendo para crer!!!!

Excesso de Afeto

O povo daqui geralmente é extremamente afetuoso. Exageradamente eu diria até. Você mal conhece alguém e a pessoa já diz que você é a luz que veio para iluminar o Egito.

As pessoas lhe tratam como se lhe conhecessem há anos. Da noite para o dia são os seus melhores amigos e fazem de tudo para agradar. Por vezes é um pouco sufocante até. Basta você ser gentil que arrumará um “amigo” para o resto da vida.

A dona da casa em que eu moro me chama de “irmãzinha”. Às vezes diz que sou o “bebê” dela. Muito engraçado. Hehehe. A minha faxineira me trata como se eu fosse uma rainha, com um excesso de zelo que até me faz pensar por vezes que sou  uma estúpida que não sabe de nada. Excesso de amor???  Pode ser. Mas acho que parece meio cínico isso. Talvez porque eu venha de um país onde confiança e afeto não seja um ponto forte!

Corrupção

Policial tirando a cesta da tarde

Como não poderia deixar de falar, e obviamente não querendo nem de longe dizer que isso não acontece no Brasil, vem a famosa corrupção!

Aqui você consegue qualquer coisa com dinheiro! Tudo, mas tudo mesmo tem seu preço. Claro que isso se justifica na pobreza do país. Noventa por cento da população é miserável. Isso incluindo os servidores públicos.

A polícia ganha absurdamente pouco. Você consegue se livra de qualquer coisa com poucas libras. Multas, infrações, burocracia, etc.

Um colega nosso foi barrado na imigração ao chegar ao Egito. Ele não tinha o visto, portanto não poderia entrar no país. Tudo se resolveu com duzentas libras (cerca de cinqüenta Reais) e algumas horas de espera. Agora imagine se fosse um terrorista ou traficante??

Outro detalhe é que a polícia adora “dormir em serviço” literalmente. Por onde você passa tem um oficial sentado dormindo ou bem descansado.

Gostaram das diferenças e curiosidades??Obviamente que existem milhares de outras coisas que acontecem por aqui. É difícil descrever uma a uma, pois acaba que elas viram uma rotina na vida da gente. Acredito que farei outros textos com mais dessas curiosidades muito em breve.

Beijão

Quantos já passaram por aqui...

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RSS A História de uma gata

  • Memorial 19/05/2016
    Tá tudo certo. Resolvido. Jurado e sacramentado. Até que percebo uma leve alteração na respiração ao estacionar o carro e meu coração acelerar no elevador e bater na garganta quando chego na porta. Ela abre. Eu disfarço. Faço uma piada, enquanto minha mente me joga, sem dó, frames de sons, momentos e sensações. Me lembra que voltei a brotar ali .E eu penso n […]
    noreply@blogger.com (Fernanda Copatti)

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