Contribuição Especial no Blog

Olá Pessoal, Meninas Principalmente…

Aqui vai um relato mais que especial de uma leitora do blog que me escreveu procurando dar mais uma ajudinha para as “habibas” apaixonadas.

Ctrl C… Ctrl V

 

Oi, Andreia. Tudo bem?

Eu encontrei o seu blog no google procurando por histórias de relacionamento entre brasileiras e árabes muçulmanos.

Fiquei pasma com a quantidade de relatos tristes e absurdos.

Bom, eu tenho 22 anos e namoro um árabe muçulmano da Jordânia.

Apesar de pouca idade, sou órfã de pai e mãe e já passei por poucas e boas. Essa experiência adquirida ao longo dos anos por mim foi provavelmente o que permitiu que eu tivesse um relacionamento agradável com um muçulmano e não aumentasse a estatística das que tiveram péssimas experiências ao lado deles.

Eu cometi muitos dos erros que identifiquei nos relatos aqui mesmo, me relacionando com homens brasileiros e me arrebentando depois, então cheguei nesse caso do árabe já esperta e ligada no que deveria fazer para me proteger de todas as formas possíveis.

Já estagiei com mulheres em situação de violência e tudo isso me comove muito.

Sei que várias meninas estão lendo o seu blog e procurando informações sobre como é se relacionar com um muçulmano.

Resolvi escrever o meu relato com algumas dicas para ajudar na segurança dessas mulheres, porque além da minha experiência, tenho também um conhecimento relativamente bom sobre questões históricas, políticas e religiosas no oriente médio.

Aqui vai minha contribuição:

Meninas, namorar um árabe tem as suas vantagens e isso é inegável!

Eles têm um senso de seriedade muito maior do que os brasileiros e, surpreendentemente, são mais emotivos e carinhosos.

Criam um apego forte facilmente e realmente tratam você como um cristal de muitíssimo valor, que precisa ser protegido e amado.

Ok, reforçando muito certos estereótipos, essa é a parte boa do INÍCIO DA RELAÇÃO.

Conforme a coisa avança e ele vai reforçando as raízes de autoridade que o islã diz que o homem estabelece sobre a mulher, a submissão vai ficando mais nítida.

Desse ponto em diante, varia de acordo com o indivíduo, o quão moderado ele é na religião e principalmente de qual país ele veio. É pouco provável que um jordaniano e um árabe do líbano (países conhecidamente moderados) tenham a mesma reação e comportamento que um wahhabi da árabia saudita, por exemplo.

Wahhabi é a interpretação mais radical da sharia, lei islâmica.

Antes de alimentar qualquer expectativa e de criar qualquer laço mais verdadeiro, verifique isso: o quão moderado é o país do qual ele veio, especialmente no que tange às mulheres. Consulte a embaixada do Brasil lá antes de visitar, pergunta sobre relatos de violência contra mulheres, sobre leis e crimes mais comuns perpetrados contra nós. Vai por mim: ele pode até ser um indivíduo muito bacana, mas a forma como enxerga você enquanto mulher vai ser diretamente afetada pelo lugar em que ele cresceu. Verifique isso com muito cuidado e tome as devidas precauções se decidir ir adiante.

Segunda coisa: eu sei que a carência somada ao descaso dos homens brasileiros faz com que tenhamos vontade de sair correndo pros braços do árabe como se houvesse amanhã. Não é crime sentir, nem errado. Não se culpem! O meu conselho aqui é para que vocês cuidem da própria segurança e integridade e não falo isso por qualquer moralismo besta. A questão é que existe um amanhã e você tá pisando em um chão movediço para uma mulher, portanto… cuidado!

Respire fundo e procure analisar a situação com clareza, ok?

Eu viajei para a Jordânia mais de quatro vezes e tenho cunhados, cunhadas, sogra e vários amigos lá, então creio que eu tenha propriedade pra identificar as possíveis roubadas nas quais você pode entrar e já te alertar sobre como agir.

1) Você é uma mulher ocidental e desfruta de uma coisa que várias lá gostariam muito de ter: LIBERDADE. Nunca, jamais se desculpe ou se culpe por isso, ok?

Eu digo isso porque mesmo em um país moderado como a Jordânia, o comportamento feminino ainda é vigiado de perto.

Existe uma emenda lá conhecida como emenda 318. Para resumir o absurdo, ela permite que estupradores se livrem da pena casando com suas vítimas. Várias famílias aceitam porque a “honra” importa mais do que qualquer coisa.

O critério que define honra para uma mulher é esse: virgindade.

Existe uma pluralidade na sociedade jordaniana quanta ao assunto, mas ainda assim é muitíssimo provável que o seu amado carregue resquícios disso na cabeça.

O meu era super “ocidentalizado”, longe de ser muçulmano dedicado, lava banheiro e cozinha para irmã, mas… foi uma das coisas que ele me perguntou primeiro. Meio sem jeito e envergonhado, mas perguntou!

Como você age? SE IMPONHA! Usar uma pele como critério de bom caráter é ridículo aqui e lá!

Fruto de uma coisa: ignorância, nada além, ok?

Você é um ser humano, dotada de genitálias e sistema nervoso, ou seja, tem desejos como qualquer homem, além de que, oh, você teve uma vida antes dele!

Amou, desejou e viveu. NADA MAIS NORMAL do que isso, então não aceite qualquer tentativa de culpabilização ou depreciação. E deixe isso BEM claro pra ele!

Um homem que deseja que você anule a vida que tinha antes de saber sobre a existência dele não merece te ter.

Seu valor independe disso e é preciso que ele reconheça isso!

Se perceber hesitação da parte dele, aconselho que caia fora e justifique bem o motivo. Você não merece isso e a coisa não vai melhorar!

Se ele tem essa mentalidade, pode ter certeza que isso vai virar argumento contra você quando começarem a ter mais intimidade.

3) Essa coisa da imposição, de não aceitar tudo e deixar bem claro o que quer vai ser necessária em tudo pra você! Como qualquer relacionamento virtual, você precisa de prudência, mas nesse caso, ainda mais.

Eu já disse e vou repetir: o chão aqui é movediço para mulheres. Mesmo países mais ocidentalizados como a minha Jordânia ainda ostentam um primitivismo símio quando o assunto é mulher. Todo cuidado é pouco!

Até você ter certeza sobre a natureza do interesse dele, mantenha informações cruciais sobre você ocultas.

Omita certas questões essenciais e vá testando e descobrindo se o que ele fala e promete é realmente verdade.

Perguntou sobre dinheiro? Redobre a atenção!

Espere a situação toda maturar. Enquanto isso acontece, vá pesquisando sobre o país e pedindo discretamente para ele informações sobre sua vida, família e etc. Avalie como ele age em relação aos seus hábitos, ao seu modo de vestir, ao islã e a forma como ele cria expectativas e exigências.

Deu certo? Ele realmente é um cara legal, de um país bacana e tá interessado em você?

Pode ir conhecê-lo, mas sem intimidades no início. Não digo em termos sexuais (embora eu recomende), mas em questões ligadas à hospedagem e gastos.

A primeira vez que fui pra Jordânia, não fiquei na casa dele. Bateu o pé, reclamou, falou que estava chateado por eu pensar que ele não prestava, que era um bandido e etc.

Eu disse que entendia a revolta, mas ele deveria compreender a minha situação: sozinha  e indo visitar um cara em um país completamente desconhecido. My safety first. E se ele gostar mesmo de você, vai entender e respeitar!

Leia sobre relatos de mulheres estrangeiras no país par ao qual você está indo.

Pode ser que hijab não seja uma obrigação, mas vai ser difícil ir pra um país muçulmano e sair de sainha de boas. Se informe para não passar por assédios pesados que, infelizmente, não são criminalizados nesses lugares. :/

Leve dinheiro o suficiente para hospedagem, para gastos extras e se informe sobre os serviços de segurança do país. Como eu disse antes: CONTATE A EMBAIXADA DO BRASIL NO PAÍS, ok? É uma questão de segurança e prevenir é melhor que remediar!

De novo, pesquise crimes mais comuns contra mulheres no país e a forma como estrangeiras são tratadas. Isso varia de país para país. A Jordânia tem uma complacência muito grande com mulheres ocidentais, se forma que não somos cobradas da mesma forma que as mulheres de lá, mas ainda assim, moças, uma saia jeans pode colocar você em situações bastante constrangedoras!

Meu último conselho é:

pese sobre o que realmente vale! Reflita, considere e reconsidere. Eu namoro um muçulmano dos mais moderados, mas ainda assim precisei abrir mão de uma série de coisas e provavelmente terei que me converter para podermos casar.

Sim, namoro é haram (pecado no islã). Tem esse detalhe!

Depende do quão tradicional o seu amado é, mas muitos deles pulam essa etapa porque o correto é o casamento.

De acordo com o islã, por exemplo, estamos em pecado.

Assim, você vai encontrar vários caras sexualmente ativos nesses países e ver que a regra se aplica com mais rigidez para mulheres, então cuidado!

– O cara pode estar te usando para casualidades. Você decide se isso vale ou não à pena.

– O cara vai querer te arrastar muito velozmente para um casamento.

As duas opções são plausíveis. Seguir com isso depende de você e dos seus objetivos, mas em caso de casamento, já aviso: a autoridade deles sobre você aumenta depois de casados. Veja bem a personalidade dele e do que você está disposta a abrir mão. Muitas vezes vale mais estar sozinha do que presa em um relacionamento cheio de restrições!

No mais, é isso. Obrigada pelo espaço, boa sorte e redobrem a atenção e cuidado, meninas!

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