EU SOBREVIVI AO RAMADAN

Palavra do dia:

Barulho: aalii

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Conforme prometido anteriormente, vou contar a vocês como foi meu mês do Ramadan. Aquele tal mês sagrado dos muçulmanos o qual expliquei em um post anterior.

Você está pronto para o Ramadan?

 Tudo começou no dia 11 de Agosto deste ano. Obviamente que em um dia de muito sol e muito calor. Mais precisamente uma quarta-feira, o que para mim significa o dia em que a faxineira costuma vir limpar minha casa. Claro que neste dia tudo foi muito diferente do normal, começando pelo fato de que ela não apareceu.

O alvoroço nas ruas era nítido. As pessoas estavam nervosas e excitadas. Como se fosse acontecer algo de sobrenatural até. Eu inocentemente fui com uma amiga ao Khan Al Khalili, decisão que posteriormente me arrependi amargamente. Como nunca havia presenciado o inicio do Ramadan, não fazia idéia do que aconteceria com o Cairo.

Até as três horas da tarde tudo parecia muito normal. As pessoas estavam trabalhando nas ruas naturalmente e as lojas funcionavam como de costume. Ao badalar das quinze horas, tudo começou a ficar muito estranho. O trânsito enlouqueceu!!! Sim, ficou ainda pior do que o de costume. As pessoas pareciam apressadas e as ruas ficaram absurdamente agitadas. As lojas começaram a fechar suas portas e simplesmente não havia mais taxis disponíveis. Eu estava em Maadi, cerca de 20 quilômetros de minha casa e foi neste momento que percebi o erro que havia cometido. Demorei cerca de duas horas para chegar em casa e foi aí que aconteceu algo bem engraçado: O motorista do taxi me cobrou o dobro da tarifa!!!

‑What??????????????

Mas espera aí! O Ramadan não é um tempo de tolerância, generosidade e amor pelo próximo etc e tal??

É realmente a teoria é linda, mas a prática não funciona assim não. Os lojistas do Khan Al Khalili, o taxista, o pessoal do estacionamento e os motoristas, não pareciam estar levando a data muito à sério. Todos queriam sobre faturar em tudo. O Rodrigo, que a esta altura estava enlouquecido porque havia ingenuamente decidido ir ao supermercado, também percebeu que todos os tais bons sentimentos ainda não haviam aterrissado por lá. Estava um verdadeiro caos. Filas gigantescas e o ataque às prateleiras foram o auge do dia do meu marido. Ele enviava mensagens ao meu celular a cada dez minutos, usando palavras que, vamos dizer assim, “abençoavam” o povo!!!

E foi assim o meu primeiro dia de Ramadan…

Outro dia, combinamos com um casal de amigos de conhecer o Outback do Cairo. Afinal, a vida tem que continuar não é mesmo? Sempre tendo em mente que não seria possível tomar uma cervejinha, pois se no resto do ano já é difícil, imaginem agora. Pegamos um taxi às seis da tarde em direção ao restaurante. A razão do horário tão cedo é que devido ao Ramadan, os horários de funcionamento dos restaurantes também modificam. Resolvemos fazer então, um almoço-janta.

Ao chegarmos ao local, percebemos que as mesas dos restaurantes ao redor estavam todas ocupadas, porém não havia comida sobre elas. Sentamos e pedimos aquela famosa cebola do Outback. Detalhe que éramos os únicos seres vivos a mastigar algo no local. Ainda tentamos pedir um choppinho mas…

Quando o relógio marcou dezoito horas e trinta e cinco minutos, os telões expostos no local começaram a mostrar rezas e palavras do Alcorão. Uma música alta e estridente tomou conta do lugar. Após uns quinze minutos, os pratos começaram a ser servidos nas mesas. A comida já estava pronta fazia tempo. Parecia aquela brincadeira do “ATACAAAARRRR!!!” Acredito que as pessoas fizeram seus pedidos antes, porém só podem comer naquele momento exato. Foi uma farra só. Famílias inteiras celebrando o Iftar (quebra do jejum), e nós ali, nos empanturrando de cebola à horas!!

Abre Parênteses.

Neste dia tive uma grande decepção: Pedi a famosa costela agridoce, aquela enorme com osso sabe?Partindo do princípio que seria a mesma do Brasil, já que a cebola não perdia em nada para a nossa daí. Fui apresentada à uma chuletinha bem sem graça. Fiquei desapontadíssima!!! Quase chorei ao ver aquele pedacinho de carne minguadinho no meu prato!

Fecha Parênteses.

Preguiça

Depois deste dia percebemos que os serviços de entrega como Mc Donald´s, Pizza Hut, etc., davam opções do tipo: “Entregamos na hora do Iftar.” Ou seja, a cidade toda se movimentava em função daquele horário, que mudava todos os dias, de acordo com o calendário lunar ou algo assim. Cerca de três minutos de diferença de um dia para o outro.

Os dias foram passando e fomos obrigados a nos adaptar às novas regras. Inclusive ao novo horário que deixou de ser o de verão e passou a ser o normal. O engraçado é que depois de encerrado o Ramadan, o horário de verão voltou a vigorar. Vê se pode neh?

Bafo

Existiu, no entanto, uma única coisa que realmente não consegui me acostumar. O BAFO das pessoas!!! Como elas não podem comer nem tomar água durante todo o dia. Escovar os dentes passou a ser um hábito inexistente entre os cidadãos do Cairo. Senhorrrrrr!!! Ajudaiiii!!! Vocês não fazem idéia do terror que é agüentar o mau hálito dos outros. Eu entrava em um taxi e o cheirinho estava lá. Entrava em uma loja e lá estava ele me perseguindo de novo. Juro que houve momentos que queria vomitar, tamanho fedor. Desculpem-me os religiosos, mas existe um limite para tudo. Duvido que deixar de fazer a higiene pessoal , seja a vontade de Alá.

Com o passar dos dias você percebe que as pessoas vão ficando mais lentas.  A falta de alimentação acaba por interferir e prejudicar a rotina de todos. Todos evitam trabalhar e ficam contando os minutos para ir para casa. Tudo é feito com muita má vontade e nenhum projeto se concretiza neste período. É muito difícil ter AINDA MAIS paciência nesta época. Como se já não bastassem os onze meses de lentidão desse povo, ainda tem esse outro para acrescentar. A parte boa é que o horário de trabalho também é reduzido. O Maridão chegava em casa as três e meia da tarde!!!

Certo dia, decidimos almoçar no shopping. Era um final de semana qualquer de Agosto. Os restaurantes estavam vazios, pois os egípcios somente comeriam após as seis da tarde. Mas, acho que devido ao grande fluxo de turistas, eles permanecem abertos. Isso que me agradou bastante até. Ninguém fumando ou gritando do meu lado. O problema foi que esquecemos que as lojas também praticavam horários diferentes e quando estávamos começando a passear pelos corredores, tudo fechou. Legal neh? Elas só voltariam a abrir depois das oito horas da noite. Sabe véspera de Natal? Tipo isso! Nossa sorte é que no Brasil só acontece no dia 24 né? Imagina durante todo o mês de Dezembro?

Devido a um problema de vazamento, solicitei que a dona da casa trouxesse um encanador aqui. Esqueci completamente que ela era muçulmana e fiz a seguinte gafe:

– Vou fazer um café para nós ok?

Super simpática!

Ela e o encanador me olharam como se eu tivesse dito um palavrão.

– Nãooooooo!!!! Estamos de jejum!!!!

Fiquei com a cara no chão!!

Para passar o tempo, nos reuníamos na casa de amigos e íamos para a praia. Tudo para que o tempo passasse o mais rápido possível. O Cairo não é fácil ao seu natural, imaginem durante estas festividades? Se antes as mesquitas chamavam cinco vezes ao dia, agora eram doze. O trânsito ficava ainda mais revoltado porque todos queriam chegar em casa e fazer o Iftar com suas famílias. A religião ainda menos tolerante com os não-religiosos e por aí vai.

Enquanto os dias passavam, meu estoque de bebidas estava diminuindo. Só bebendo para agüentar essa época, hehehehe (brincadeirinha). Meu pai e a namorada estavam para chegar na última semana do Ramadan e eu havia comprado cerveja e vinho, prevendo que não seria possível comprar álcool durante este período. Quando eles chegaram o estoque estava consideravelmente baixo. Já na chegada deles, fomos mais uma vez ao shopping, com a intenção de jantarmos. Desta vez o feitiço virou contra o feiticeiro… Os restaurantes estavam abarrotados de gente!!! Claro, eram seis e meia da tarde!!!  Não haveria lugar até aproximadamente às oito e meia da noite. Acabamos por conseguir um único restaurante que ainda tinha lugar… Bela recepção, hehehe.

Depois disso fomos tirar férias do Ramadan em Sharm El Sheikh. Afinal ninguém é de ferro neh?? Lá sim, o tempo não para… Nem o Álcool!!!

Beijinhos!!

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APENAS MAIS UMA HISTÓRIA…

Palavra do dia:

Triste: Haziin

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Hoje vou abrir um espaço no Blog para compartilhar com vocês, a história de uma leitora que me escreveu há alguns dias, contando um triste episódio de sua vida. Logicamente fui autorizada a postar suas palavras, mas por questões óbvias, não vou “dar nome aos bois”.

Segue abaixo:

Meu nome é J, tenho 36 anos, moro em PE, sou tripulante de navios, trabalho em cruzeiros…

Eu achei interessante a sua matéria sobre mulheres X casamento com egípcios e gostaria de relatar minha experiência para você, pois assim como muitas, namorei, noivei e fui enganada por um egípcio.

Tudo começou quando fui trabalhar no navio Orient Queen da companhia Luis Cruises, no departamento de bar, como bar waitress.

Eu estava deslumbrada com o emprego, pois era meu primeiro emprego no navio e ao mesmo tempo com medo, pois ficaria presa por um longo tempo com 350 tripulantes onde apenas 50 eram mulheres. Lá existiam pessoas de muitas nacionalidades, a maioria filipinos e gregos, já que a bandeira do navio é grega.

Não demorou muito, uma questão de dias, eu conheci o homem que me daria todo o céu e ao mesmo tempo, faria da minha vida um inferno… O nome dele é N. D. S. T., ele tem 30 anos e é bar keeper , ou seja, barman com poder de supervisor do departamento no bar. Ele é egípcio e cristão. 

No inicio foi engraçado porque a gente só se comunicava através do inglês. Foi quando ele me pediu que eu ensinasse a ele português, já que  ele estava aqui no Brasil. Então de uma amizade, começou a nossa história de amor…  

Ele era educado, atencioso e comprava mil coisas para mim. Na primeira semana falou que me amava, que havia encontrado a mulher de sua vida e que queria ficar comigo para sempre. Perguntava-me onde eu estava todo esse tempo, me cobria de beijos e carinhos… Pois é… Qual mulher não gosta disso? Eu vinha de um relacionamento frustrado com um rapaz de longe e queria na verdade encontrar alguém que pudesse me fazer esquecer todas as magoas que tive com meu ex… Foi aí que eu me apaixonei…

Tudo entre a gente foi rápido, começamos namorar cinco dias depois que eu entrei no navio. Fui morar com ele, em sua cabine, uma semana depois que começamos a namorar e por aí foi… Foram momentos mágicos e únicos, eu sentia sinceridade nos olhos dele, ele fazia loucuras para estar comigo. Cuidava de mim, cuidava das minhas coisas, roupas, comida… Sempre que eu chegava a nossa cabine havia uma surpresa. Flores, fitas adesivas com varias coisas escritas grudadas de um canto a outro, presentes, etc… Tudo que uma pessoa sonha que outra faça por ela, ele fazia por mim…

Trabalhávamos no mesmo setor. Almoçávamos, jantávamos, tomávamos café da manha juntos todos os dias e não nos cansávamos de estar juntos. Parecia que cada dia a gente queria estar mais próximo um do outro. Éramos tratados pelos nossos supervisores e superiores como marido e mulher. Até nosso gerente, que também é daquelas bandas (libanês), falava que eu era a esposa dele.

Foram momentos de amor e de paixão. Brigas??? Quase nunca! De vez em quando ocorria um ciumezinho, mas só para apimentar mais a relação, porque na hora das pazes a gente esquecia qualquer problema que tinha havido entre nós.

Me apaixonei perdidamente por ele, e os dias foram passando… trouxe-o diversas vezes para minha casa e apresentei-o aos meus pais.  Meus pais, mesmo sem falar uma palavra em inglês, o adoraram. Ele se esforçava para agradá-los e como agradou… Minha família ficou encantada por ele. Meu pai fez até banquete para recebê-lo e ele lhe retribuía chamando-o de anjo e beijando-lhe a face… como eles fazem por lá. Minha mãe o adorava e ele a chamava de mãe. Olha que meu pai não gosta de estrangeiro, mas dele, ele realmente gostou…

Ele me convidou para o casamento de sua irmã que seria em agosto desse ano. Chamou meus pais para ir também. Eu aceitei ir, assim que terminasse meu contrato compraria minha passagem e passaria um mês lá. Depois eu voltaria para o Brasil. Fizemos planos, cálculos, pensamos em tudo. Inclusive aonde eu iria me hospedar, pois eu não poderia ficar na mesma casa que ele (dormir no mesmo quarto dele), pois no Egito a gente teria que se comportar como amigos apenas, até a família dele se acostumar com a idéia de que estávamos  apaixonados e que queríamos ficar juntos.

Mas algo aconteceu quando eu voltei para o Brasil e ele ficou trabalhando no navio. Ele precisava esperar pela data de embarque ao Egito, logo, se preparar para me receber lá e para irmos à festa da irmã dele… Não sei explicar bem o que houve… Eu voltei para casa depois de oito meses de convivência, morando com ele. Mas algo estava errado…

Voltei para o Brasil dia 12 de julho e ele dia 15 para o Egito… Continuamos a nos falar por msn, e-mail, skype, facebook, telefonemas … Mas, ele mudou… 

 Surgiu uma moça chamada L.L. no Facebook dele (egípcia). Isso ainda quando ele estava no navio e eu já aqui no Brasil. Notei que ela estava muito interessada nele e ele também. Sempre conversando com ela e comentando as fotos dela. Eu achei estranho porque ele não estava mais comentando as nossas fotos, nem tão pouco, colocou as fotos que tiramos (certa de três mil fotos) juntos, durante todos esse oito meses passeando pelo Brasil e Europa… Achei estranho e adicionei-a ao meu facebook para saber se eu descobria alguma coisa…

 Ela me perguntava dele e eu tinha que mentir, porque eu não podia dizer que eu era a noiva dele, já que lá no navio tínhamos um compromisso e usávamos anel de noivado, vivíamos como marido e mulher… Além disso, ele me obrigou a mentir sobre nós. 

Acabou que eu não fui para o casamento e ele foi sem mim… Fiquei aqui imaginando como teria sido o casamento. 

 Lembro que por diversas vezes eu falei (por telefone) com a mãe dele lá no Egito. Ela falava que queria que eu fosse na casa dela e as irmãs dele também… Ele falava para todas elas que eu era a melhor amiga dele e que queria muito que elas (a família dele) me conhecessem. Dizia ter certeza que elas iriam me amar como ele me amava.

Eu ainda estava muito apaixonada e comecei a me sentir incomodada pelo simples fato dele estar se correspondendo com outra no facebook. Então eu perguntei quem era ela para ele. Ele apenas falou que era uma sobrinha do marido da irmã dele, que morava longe, em Alexandria que não tinha muito contato. 

Aí começou uma chuva de mentiras. Eu chorava dia e noite, acreditando nele e ao mesmo tempo vendo as coisas acontecerem… Ele começou a me tratar mal no telefone, mas ao mesmo tempo mandava cartas de amor para mim, pedindo que eu tivesse calma e que deixasse o tempo se encarregar das coisas… Falou que o irmão dele pegou o computador dele, tirou o facebook dele sem nenhuma explicação  e coisas deste tipo. Depois ele me dava patadas no msn, falando que eu não deveria confiar nele, que ele era egoísta, mas ao mesmo tempo falava que não queria me deixar e que precisava ficar em contato comigo… Dias e dias passaram e ele ficava brincando com minha mente.

Lembro que um dia ele me falou que gostaria de morar aqui no Brasil, porque ele achava que as coisas eram baratas. Me perguntou se eu estava disposta a morar na cidade dele e eu falei que sim. Então ele falou que existiam coisas que eu tinha que saber a respeito da cultura árabe e eu fiquei ali, parada só escutando…

Ele disse que na casa dele (nossa casa) se chegasse uma visita masculina eu deveria ficar na cozinha.  Eu falei que jamais ficaria!!! Falou que eu não poderia comer na mesma mesa que eles… E eu falei… Eu como sim!! Muito engraçado isso, porque ele costumava me falar que não aceitava “certas normas da cultura” dele, como por exemplo, ter que casar virgem. Ou ainda que a mulher não pudesse trabalhar e ser independente. Mas depois veio com essa história…

Depois ele falou que tinha medo do que a família dele iria pensar ao meu respeito, já que eu era do ocidente e que eu não era virgem. Eu ate perguntei, num momento de brincadeira se a mãe dele iria olhar para dentro de minhas pernas para saber se eu tinha ou não tinha hímen… Ou se o irmão dele iria querer ver também… Ele até sorriu e falou que não era bem assim, eu já tinha uma “certa idade” e que seria quase impossível a mãe dele acreditar que eu era virgem ainda.. Então eu falei que ele não precisava dizer para mãe dele se eu era ou não, bastava apenas casar e pronto!

Ele falou muitos outros absurdos que logicamente eu não concordei. Falava que entendia meu lado, já que eu era independente e que tinha outros valores morais e culturais, mas que mesmo assim me amava e que queria ficar comigo… Eu acreditei.

Chegou o mês de agosto e eu ali vidrada nele. Falando para ele que eu queria ir para lá. Ele relutando, dizendo que não seria uma boa idéia. Então, um dia ele veio com essa:

 – Eu não sou rico, a minha casa não tem piscina como a sua e não tenho nada para te oferecer, tudo que eu tenho são as despesas do casamento da minha irmã…

E eu ainda assim falei que queria construir um futuro com ele. Ele aceitou.

Eu estava no facebook de L.L. (a menina egípcia) tentando descobrir um novo álbum de fotos dela, quando encontrei o facebook  novo dele… Ele apagou o antigo e fez um novo só com ela como amiga.. Lá tinha tudo que eu precisava saber… Muitas declarações de amor dele para ela e dela para ele!! Eu fiquei em choque!! Meu céu caiu e eu caí em prantos!! Apenas alguns dias antes ele havia me mandado uma mensagem falando que me amava e que eu tinha que esperar o futuro, que não estava mais nas mãos dele, mas que precisava ficar em contato comigo, precisava ficar comigo…

Eu chorei, chorei, chorei… muito… Vi todos os meus sonhos desmoronarem… E então a ficha caiu!!! Tudo era mentira!!! Essa menina de 18 anos a qual ele estava se correspondendo estava prometida para ele desde o dia do casamento da irmã. Até então, ele não tinha ninguém lá, aproveitou o casamento da irmã para fazer isso… Ambos estavam esperando por esse dia!

Eu perdi meu controle e mandei para ela todas as nossas fotos juntos, inclusive se beijando. Os e-mails, cartas que ele escreveu para mim, chats onde tinham todas as conversas, tudo que você possa imaginar… Mandei!!! Eu sabia que pela cultura deles, ele não poderia nem beijar outra mulher que não fosse a esposa dele e por isso contei tudo para ela. Falei que éramos marido e mulher no navio, que estávamos noivos, etc… Ela me respondeu agradecendo por tudo, pois só assim ela descobrira a verdadeira face dele,  então falou que não queria mais ele.

Nesse momento, eu entrei no facebook do irmão dele que me aceitou como amiga e fui buscar as fotos dele no casamento da irmã. Foi quando eu notei que ele não estava usando a nossa aliança… Ele não estava com ela nas fotos.

Eu mandei um e-mail para ele chamando-o de mentiroso, mau caráter!! Disse que ele mentiu, e eu queria saber por quê!! Eu havia sido tão boa com ele e ele tinha sido perfeito para mim, mas no final fez tudo isso… Eu me senti um lixo!! Me senti velha e fracassada!! Ser trocada por uma garota de 18 anos… virgem, egípcia… Como me senti mal e ainda estou me sentindo mal por isso. 

Ele me respondeu falando que nunca me amou, que ama essa garota e que vai casar com ela… Pediu que eu deixasse ele em paz e ainda assim perguntou se a gente poderia ser amigos…

Estou mal desde que isso tudo aconteceu, estou amargurada, me sentindo péssima. Sei que não estou velha… Sei que dei todo meu amor a ele. Ele foi fazer uma palhaçada dessas. Estou vivendo um inferno, penso nele dia e noite, ando sem comer e ainda assim tenho sonhos com ele… não sei o que eu faço…

Eu ainda o amo e muito!! Minha mãe está preocupada comigo, pois eu não paro de falar nele. Nem minhas amigas querem mais saber dele e falam para que eu o esqueça… Mas está difícil!! Está muito difícil!! Não consigo tirar de minha cabeça, todos os nossos momentos lindos e mágicos que passamos juntos em tantas e tantas cidades e países…

Quero aproveitar aqui e dizer que eu tenho outros amigos árabes que não aprovaram nem um pouco a atitude desse homem comigo. Eles viveram e vivenciaram cada momento especial que tive com ele.

Gente, esse foi o relato de minha amiga J.

Quero salientar que nossa intenção é apenas partilhar essa história a título de informação. Não queremos de forma alguma julgar todos os egípcios por este homem. Apenas, queremos alertar as pessoas que tenham cuidado quando se envolverem com pessoas de culturas tão diferentes das suas. Muitas vezes um grande amor pode acabar em uma grande decepção!

Ela está aberta a comentários e eu aberta às histórias que por ventura, vocês desejem compartilhar.

Um grande beijo à todos!

HÓSPEDES DO BARULHO!!

Palavra do Dia:

Visita: Ziyaarah

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Mês passado andei recebendo visitinhas por aqui… Aliás, duas visitas mais que bem vindas. A prima do Ro e uma querida amiga resolveram dar uma passadinha pelo Cairo antes de ir à Europa. Bem no caminho né? Hehehehe. Na verdade me senti lisonjeada pela escolha delas, desviar 3.000 km só para passar três dias com a amiga aqui, não é qualquer um que faz!!!   

 Hoje vou contar para vocês como foi a passagem da GI e da SI pelas arábias.   

Fazia apenas um dia que Rodrigo e eu havíamos chegado do Brasil. Eu mal havia desfeito as malas quando as gurias chegaram. Já no começo da “empreitada egípcia” um pequeno probleminha… Vôo atrasado!!! Normal. O problema é que elas não conseguiram nos avisar e o Rodrigo acabou tomando um chá de banco básico no aeroporto. Sem problemas. Recolhidos os pacotes, seguiram viagem aqui para casa.   

Durante o trajeto, elas logo perceberam o agito noturno da cidade. Já eram 2 horas da madrugada e o Cairo estava “bombando”. Ao passar por uma das diversas pontes que atravessam o Nilo, a primeira foto logo foi requisitada…   

– Pára!! Pára, que a gente quer tirar uma fotinho, por favor!!!!   

– Sem problemas, pode descer e tirar quantas fotos vocês quiserem!    

Diversão no Cairo

  

Ao perceberem a “classe social” que estava habitando o local naquele momento, logo, logo mudaram de idéia.  O medo de ser assaltada, que de certa forma é ilusório e preconceituoso (mas eu ainda tenho) impediu que elas saíssem do carro…   

– Ahhhh Ro! Tira a foto para a gente vai!!!   

Bom, quando elas chegaram em casa, estavam como diz a expressão, “A mil pelo Brasil”, neste caso no Egito. Cheia de histórias para contar do avião, do embarque no Brasil, da conexão em Madri, da chegada no Cairo, enfim… Fomos dormir às quatro da manhã. Não preciso mencionar que teríamos que acordar cedinho no dia seguinte.   

Primeira parada: PIRÂMIDES!!!   

Olha, eu acho que já estive nas pirâmides umas três ou quatro vezes, mas NENHUMA DELAS ESTAVA TÃO QUENTE!!!!  A temperatura passava dos quarenta graus. Aí vocês vão pensar: Mas no Egito não é sempre assim??? Sim, verdade. Mas se aqui em casa já é quase insuportável, imagina no meio da porcaria do deserto??? Senhoooorrrrrr!!!! Nós quase falecemos!!! Cada passo era uma tortura. O único momento de alívio foi quando entramos no Museu do Barco que é o único local do parque que possui ar condicionado. Tenho certeza que perdemos uns cinco quilos nessa brincadeira.   

Isso, na verdade é uma grande pena. As pirâmides merecem atenção. Elas precisam ser apreciadas em todo seu esplendor. Os olhos das gurias certamente estavam encharcados, mas era de suor. Chega um momento que você quer ir embora dali, para qualquer lugar que tenha ar condicionado. Infelizmente, embora as 12.495 fotos tiradas, o dia não estava propício para o passeio.   

Fomos correndo para o shopping mais próximo. Almoçamos em um restaurante Mexicano bem legal. Antes de vocês me criticarem, os restaurantes típicos egípcios são melhores à noite, nosso dia precisava ser otimizado, portanto, perder tempo com almoço não era nosso foco! A comida estava MARA e logo em seguida o Rodrigo foi ao nosso encontro para dar seqüência à segunda parada: KHAN AL KHALILI   

Lembra do bazar mais antigo e um dos maiores do Oriente Médio néh? Aquilo ficou pequeno para nossa amada SI!!! Imagina uma pessoa que gosta de comprar. Mas que gosta muitoooo!!! Agora joga ela lá dentro daquele lugar. Imaginou?? Não, não… É beeeemmm pior!!! (brincadeirinha SI)   

Tudo era lindoooooo, maraaaaaa, meigooooo!!!  Mas o mais legal de tudo foi assistir elas negociando com os lojistas.  Era um tah caro prá cá, tah caro prá lá!!! Até que alguém na multidão chamou a SI de SHAKIRA. Hahahahahaha. Não preciso dizer que durante toda a viagem este foi o seu primeiro nome né? Sem contar as inúmeras vezes que ofereceram camelos em troca de casamento! Quem se habilita a dizer quantos?? Não gente!! Não vendemos a Si não!!! Quanta maldade heim?? Mas a Si fez suuuucesso no Khan Al Khalili.   

A GI não ficou atrás em suas peripécias…   

Entramos em uma loja de papiros bem linda, logo o vendedor começa a nos mostrar todos os papiros da loja. A GI que se demonstrou super interessada (grande erro) começa a fazer perguntas para o rapaz. Detalhe: Em português!!! Isso aconteceu em todas as lojas do bazar… Mas como íamos tentando ensinar ela a se comunicar, ela foi aprimorando suas habilidades lingüísticas e de repente ela solta uma assim para um vendedor:   

How much isso aqui?   

Hahahahahahahahahahahahahaha   

What????   

Bem, um dia quente e divertido merece uma cervejinha para comemorar não é mesmo? Fomos levar as meninas para conhecer o Hard Rock Café do Cairo. Fica ao lado de um dos hotéis mais luxuosos daqui e na beira do Rio Nilo. Chegamos lá e a primeira palavra dirigida ao garçom foi:   

–  4 Beers please!!   

O garçom com a maior naturalidade diz:   

Today non alcoholic day (Dia não alcoólico)   

Whaaaaattttt?    

Meu mundo desabou como num passe de mágica. Era justamente o dia que homenageava um profeta que, sei eu o que!! Não faço a mínima questão de saber quem é esse senhor (o senhor foi ironia tah?), mas ele estragou minha noite!! Não preciso dizer que a comida (que nem é tão boa assim) perdeu toda a graça. Comemos rapidinho e as meninas prosseguiram com suas compras na lojinha do bar. afinal, não é todo mundo que tem uma camiseta do Hard Rock do Cairo neh?   

Grand Hyatt

  

Saindo do Hard Rock fomos passear no hotel (Grand Hyatt Hotel). Tudo lá é extremamente chique, mas nada que pudesse acanhar as mocinhas e seus clicks…   

 – Olha o tamanho desse lustre!! (tira foto)   

 – Olha essa escultura!! (tira foto)   

 – Olha esse restaurante!! (tira foto).   

 E assim fomos conhecendo cada detalhe do local…   

Dia Seguinte: MUSEU DO CAIRO   

Fomos para o museu lá pelo fim da manhã, pois além do cansaço, as atrações no Cairo só abrem a partir das 10:30hs. Para minha felicidade, é proibido tirar fotos no museu!!! (to de sacanagem) Acho uma pena, mas entendo…   

O Museu do Cairo é super legal, mas como tudo por aqui, extremamente desorganizado. As coisas ficam praticamente jogadas pelos corredores e com exceção da sala das múmias, o resto é quente e empoeirado. A máscara de Tutancâmon é uma das peças mais lindas do lugar, toda coberta com ouro e pedras. A SI se emocionou!!! Detalhe: ela trabalha com ouro. Hehehehehe.   

Após o museu, seguimos viagem para o Shopping City Stars. No caminho aconteceu algo que eu “preciso” contar à vocês. Todo mundo que visita um país diferente tenta, obviamente, aprender algumas palavras na língua local. Aqui as mais comuns são chokram (por favor), salam aleikum (uma espécie de cumprimento), Insh Alla (se Deus quiser) e Al hamdu Lillah (Graças a Deus). Estávamos nós no amado trânsito do Cairo e a SI já estava no seu auge do nervosismo. A todo o momento ela dizia: 

  

 Minha Nossa Senhora!!! Ai Jesus Cristinho!!!   

De repente nosso motorista leva uma fechada e ela solta a seguinte frase:   

– ­ Uiiii SALAMALEICO!!!!   

 – ???????????????????????????????   

Começamos a rir compulsivamente, inclusive o motorista, que já estava se divertindo muito com nossas peripécias. O que será que ela queria dizer??  Num momento de pavor a pessoa demonstra falar qualquer língua neh??? Mesmo que ninguém entenda o que ela quer dizer… Mas enfim, vale a tentativa.   

O shopping foi como se havia de esperar, tudo lindoooooo, maraaaaaa, meigooooo!!!  Se no Cairo elas estavam deslumbradas, imagina em Paris??? Infelizmente não tivemos muito tempo para aproveitarmos o shopping em sua totalidade. Precisávamos nos preparar para, agora sim, jantarmos em um restaurante egípcio.   

Encontramos com mais alguns brasileiros amigos nossos no restaurante Sequoia, e ao contrário do que as gurias pensavam, a comida era muito gostosa. Digo isso porque antes de elas virem para cá, estavam preocupadíssimas com os cheiros, sabores e horrores do Egito. Se surpreenderam heim meninas? Tá certo que eu dei uma “apavoradinha” nelas antes da viagem, mas foi um tanto que proposital (hehehehe). Ao chegarmos no local, um probleminha básico: A SI fechou a porta do carro no dedo do meu amorzinho!! (Que Alá despeje sua ira em você, SI!!!) Foi uma gritaria desvairada e eu, só para variar, comecei a rir compulsivamente! Sim, é assim que eu costumo agir em momentos de pânico!! Mas tudo bem, a noite foi perfeita e a companhia também.   

A Cidadela

  

O seguinte e último dia de passeio foi mais light. Fomos pela manhã à Cidadela, um local no Cairo Islâmico onde se encontra a mesquita principal do Cairo, an-Nasr Mohammed. Confesso que ainda não havia visitado o local. Muito bonito mesmo!!! Apesar do calor conseguimos curtir bastante o passeio. Engraçada foi a parte que precisávamos tirar os sapatos e devido à limpeza do local (ironia), era preferível ficar de meias. Minha amiga SI quase desmaiou. Está pensando que é por causa do chulé??? Que nada!!! Ela não queria sujar as meias do mickey dela!!! Vê se eu posso com isso!!!! Hahahahahaha   

Foto de um lado e foto de outro, tocamos a boiada para o bairro de Maadi. Motivo?? Compras!!! Fomos comprar lençóis egípcios em uma lojinha bem pequeninha que descobri neste bairro. Ali perto ficava também um dos meus locais preferidos: O OUTLET da Addidas, Rebook, Levi’s e Timberland! É pouco ou quer mais? Lá a GI continuou a exercitar seu… português fluente!!!   

Tem tamanho maior?   

GI!!!!!! Eles não falam português!!!!   

_ @&%#*@%!!!! Ela respondeu…   

Neste dia almoçamos no Shopping onde está localizado o Carrefour. Atendendo aos pedidos, entramos no mercado para um rápido passeio. Conforme escrevi em um post anterior, o Carrefour do Cairo é um tanto, vamos dizer assim, lotadinho. Astutamente desviamos dos carrinhos e das crianças a fim de chegar ao setor da padaria. Foi quando subitamente eu escuto:   

– Aiiiiiii!!!! Essa guria me atropelou!!!   

Era a SI…   

Atrás dela estava uma menina pilotando seu carrinho cheio de compras, obviamente sem usar seu sentido da visão! A SI olhou bem nos olhos dela, até porque era só o que dava para ver embaixo da burca e disse:  

– Vai para @%$#*&. (Em português logicamente)   

Pronto!!! Vocês não queriam o Carrefour???   

Buddha Bar

  

 Na chegada, as meninas haviam prometido pagar um jantar em retribuição à hospitalidade que foi dada por nós. Como elas queriam conhecer o BUDDHA BAR do Cairo, reservamos uma mesa e obviamente que, como era a última noite, a gentileza deveria ser neste dia. Chegamos no bar e realmente é lindo de morrer!! A decoração é uito legal, o ambiente bem moderno e os drinks, Ahhh, os drinks… Quando chegou o cardápio do restaurante (menu para os não-tigres) o susto e a expressão de pavor na cara delas foi impagável!!! Era muito caro!!! Tudo era muito caro!!! Mas gaúcho que se preza vai até o fim!!!! Escolhemos o prato (mais caro) e elas pagaram a conta sem reclamar! Nós até tentamos (sem muito esforço obviamente) fazê-las desistir, mas foi em vão! Lá se foram as duas armadas com seus cartões de crédito infalíveis!!!  Mas eu merecia né? Depois de aturar as duas, que até foto no banheiro do bar tiraram… Hahahaha.   

Mas a verdade é que estava muito divertido e infelizmente durou pouco. Amei receber minhas primeiras visitas no Egito e amei mais ainda o seguinte: ter a certeza que se antes nossa amizade já era boa, agora ficou muito melhor.   

Gurias, do fundo do meu coração, eu realmente espero que vocês tenham gostado da estadia. Tenham certeza que fizemos tudo com muito amor e carinho! Amo muito vocês e espero que nós possamos passar mais aventuras juntas muito em breve!   

Um beijo a todos, mas especial para vocês!   

Ahhh, se eu esqueci de alguma coisa por favor, acrescentem!!!

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    Tá tudo certo. Resolvido. Jurado e sacramentado. Até que percebo uma leve alteração na respiração ao estacionar o carro e meu coração acelerar no elevador e bater na garganta quando chego na porta. Ela abre. Eu disfarço. Faço uma piada, enquanto minha mente me joga, sem dó, frames de sons, momentos e sensações. Me lembra que voltei a brotar ali .E eu penso n […]
    noreply@blogger.com (Fernanda Copatti)

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