UM DIA NO MUGAMA

Palavra do dia:

Esperar: yantazir

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Como em qualquer lugar do mundo, aqui no Egito, para que você possa residir por mais de um mês é necessário que você tenha um visto específico ao seu propósito de estadia. Meu marido, como veio a trabalho, precisou de um visto de “residência com trabalho permitido”. Este visto demorou, mais ou menos, cerca de seis meses para ser liberado. Muito desse atraso é porque o pessoal que trabalha nos órgãos de Recursos Humanos Egípcios  são um tanto quanto atrapalhados (tô sendo legal) e também devido à burocracia cansativa e desorganizada do país.

O meu caso é um pouquinho mais fácil, pois não envolve trabalho, mas mesmo assim, até o mês passado eu ainda não possuía o meu visto. Estava aqui como turista temporário, ou seja, podia permanecer no país apenas por um mês. Toda vez que saia do país era uma tensão. Existe uma multa para visto quando expirado e se não fosse a minha “enorme simpatia “ para com os funcionários da imigração eu já estaria na lista negra do governo egípcio.

Toda a vez que eu saia do país com o visto vencido, acontecia mais ou menos assim:

Salaam Aleikum Senhor policial!

– Aleikun Salama! Do Brasil?

– Sim. País do futebol, sabe como eh!

O oficial se emocionava todo e começava a dar toda a escalação…

– Kaka, Ronaldinho, Roberto Carlos, etc..

– Isso mesmo!!! O senhor sabe muito heim???

Somente este diálogo e muitos sorrisos eram suficientes para o carimbo de saída e a liberação da multa. O mesmo não acontecia com o Rodrigo, que sempre acabava pagando.

Às vezes citavam o Maradona na história, que obviamente eu me obrigava a corrigir o equívoco rapidamente.

– Maradona é da %@&!@ (Argentina)

– Ah eh!!! Hehehehehe

Somente da última vez peguei um que acredito eu, não gostar muito de futebol e sem dó nem piedade me mandou pagar a multa. Depois disso decidi que não mais ficaria com o visto temporário e que enfim, faria o meu visto permanente!

Foi na primeira quinta-feira do mês de novembro, acompanhada de uma querida amiga, que resolvi me aventurar ao prédio da Receita Federal do Egito e buscar meu visto para seis meses de estadia. Naquele mesmo dia minha mãe e seu namorado chegavam do Brasil.

Chegamos ao “Mugama”, assim chamado o prédio da RF, cerca de oito horas da manhã. Tudo parecia calmo e tranqüilo. Mas eu não fazia idéia do inferno que estava por enfrentar.

O prédio em si, parece o Carandiru após o massacre. As paredes sujas, fedidas. As pessoas mais sujas ainda, comendo lanches pelos cantos. Fumando e gritando pelos corredores. Um verdadeiro nojo. A organização inexistente das filas. O descaso absurdo dos funcionários.

Primeiramente eu precisava tirar uma foto para o visto. Me dirigi a uma salinha que deveria caber umas duas pessoas apenas, mas obviamente estava cheia. Cerca de umas seis meninas tomando chá e conversando, aparentemente funcionárias do prédio, sem nenhuma disposição ao trabalho.

Tirei a foto que inacreditavelmente ficou pronta na hora, preenchi uma ficha com meus dados (inclusive religião) e me dirigi ao guichê de solicitação de vistos para turistas.

A menina que estava atrás do balcão estava pacientemente fazendo um capuccino e não se dignou nem a me dar um olhar. Esperei cerca de cinco minutos até que o ritual terminasse e ela resolvesse me atender.

– Bom dia. Gostaria de um visto de turista residente de seis meses.

Neste momento achei que ela fosse me encher de perguntas do tipo: Por quê? Qual seu motivo para ficar no país? Você é casada? Etc. Que nada!!! Ela olhou para a chefe que estava ao seu lado e apenas perguntou se brasileiro tinha algum tipo de restrição. Elas discutiram algo por uns dois minutos e então ela disse:

– Volte em duas horas para retirar seu visto no guichê 36.

Nunca foi tão fácil né??

Ahammmmm…

Fomos dar um tempinho no Mc Donald’s que ficava ali perto e passado duas horas voltamos ao prédio.

Aquilo estava um terror!!!!! Já eram onze horas da manhã e a quantidade de pessoas que estavam lá dentro lotava um estádio de futebol. O cheiro de cigarro era tanto que cheguei a sentir o câncer rindo da minha cara!!! Um verdadeiro horror!!!

Tinha gente do mundo todo lá. Se empurrando e gritando pelas salas. As crianças correndo de um lado para o outro e os guardas carregando bandejas e mais bandejas de chás para os funcionários. Claro que, fazer a segurança e a organização do local, não é tão importante quanto uma boa xícara de chá!!

Quando cheguei ao guichê 36, havia cerca de 5.456 pessoas na minha frente. Mas como assim??? Não tem ordem de inscrição? Não tem ordem de chamada? Não tem ordem alguma???? NÃOOOO!!!! As pessoas ficam todas na frente do balcão, esperando. Paradas ali, sem fila alguma. Amontoadas, umas em cima das outras.

O procedimento é mais ou menos o seguinte:

1.       Você tenta se enfiar por entre as pessoas até encontrar o canto menos fedido e com a melhor visão do guichê possível.

2.       A atendente carrancuda fica levantando a foto anexada nos documentos a uma altura que só os alemães da fila enxergam, para que então as pessoas se identifiquem.

3.       O documento é de papel, ou seja, molengo. Toda a vez que a atendente levanta a foto, o documento dobra e você não consegue ver nada.

4.       Caso você tenha sorte e reconheça sua foto, grite!!! Grite o mais alto que você puder!!! Até ser ouvido pela atendente que provavelmente já colocou seu passaporte de lado e chamou outra pessoa.

5.       Empurre as pessoas que estão na sua frente para que elas saiam e deixem você chegar ao balcão para assinar o documento.

6.       Identifique-se à atendente e implore para ela pegar seus documentos novamente.

7.       Assine o papel no espaço você conseguir.

8.       Posicione-se quase como “de quatro” no balcão, assim você não permitirá que outras pessoas te empurrem e você morra esmagado enquanto assina.

9.       Pegue seu passaporte que provavelmente foi jogado pela atendente na mesa.

10.   Agarre com força seu passaporte até você se encontrar em um local seguro.

Logicamente que meu visto ficou pronto duas horas depois do que o horário combinado. Isso que eu fui uma das primeiras a chegar. A mulher mostrava as fotos e nada da minha aparecer. Quando eu perguntei a ela se havia algum passaporte brasileiro ali ela me deu um olhar de ódio tão grande que eu nunca mais tive coragem de olhar nos olhos dela.

Enfim, com o passaporte e o visto na mão…

Não, não acabou!!! Você ainda precisa de um segundo vista que se chama “múltiplas entradas”. O primeiro só da direito a permanecer no país, mas você não pode sair dele. Para isso existe este segundo visto.

Fui para o guichê e para a minha surpresa não havia fila. Havia apenas um homem sentado na frente do balcão, preenchendo uma ficha, me impedindo de chegar até o atendimento. Pedi licença educadamente e obviamente não fui atendida. Pedi de novo agora com mais ênfase e não recebi nem um suspiro. Mais uma vez pede e nada. Até que…

– Da para você sair daí seu &@#%@

O atendente do guichê percebeu o que estava acontecendo e literalmente enxotou o cara de lá que saiu enfurecido e me chamando de nomes que eu nunca saberei o significado.  Mas Senhor!!!!!! Será o fim do mundo???? A pessoa ainda se achava na razão??

Solicitei então o meu visto “múltiplas entradas” e aproveitando que o rapaz gostou da minha pessoazinha, pedi:

– Será que ao invés de duas horas mais o senhor consegue adiantar este visto para mim? Estou aqui desde as oito da manhã e já são três da tarde! (acompanhado de uma piscadinha)

– Claro!!! Volte em UMA HORA!!!!

(Pensamento: &@#%@&@#%@&@#%@&@#%@&@#%@)

– Obrigado moço!!! Muito gentil!

Sentamos numa mureta embaixo de uma árvore e ficamos lá, esperando…

Foi quando eu ouço um miado, bem fininho de longe. Era um gatinho. Preso nas grades de uma das janelas do prédio!!!!

– Amigaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!! Tem um gato preso aliiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!

– É mesmo Andréia. Acho que ele tah morrendo!!

– Nãooooooooooooooooooo!!!! Coitado do gatinho!!! Alguém tem que salvar ele!!! Alguém salva eleeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!! (em prantos)

A grade era muito alta e não alcançávamos no gato. O miado cada vez mais fraco e eu cada vez mais desesperada.  O gato então parou de se mexer…

– Ele morreu!!!!! Ai Meu Deus!!!! Ele morreu!!! A gente deixou o gato morrer!!!!

Foi quando um rapaz inocentemente resolveu perguntar o que estava acontecendo.

– Moçoooooooooooooooo!!! Salva o gatinho por favor!!!!!!!!!! Por favoooorrrrrrrrrrr!!!

O homem nos olhou, obviamente assustado e após pensar por alguns momentos sobre a bobagem que ele fez ao nos dar ouvidos, subiu na janela e empurrou o gato livrando ele da grade. O gatinho tonto conseguiu recuperar o fôlego e saiu assustado correndo.

– Obrigado moço!!! O senhor salvou “a minha vida”! Deus irá lhe recompensar!!!

Isso já eram quatro horas da tarde quando retornei ao balcão e retirei enfim meu último visto! Desta vez foi fácil. Já estava separadinho pelo moço legal que com muito orgulho me falou:

– Viu? Eu não te falei que era SÓ mais uma hora?

-Ahammmmmmmmmmmmmmm!!!

Será que os egípcios têm uma noção de tempo diferente da minha?? Será que eles pensam que passar oito horas enfrentando uma burocracia é padrão mundial??? Tá certo que o Brasil também não tem lá suas vantagens quando se trata de papelada, mas ao menos você vai para casa e volta outro dia né?

Mas ao menos agora você já sabe os passos para ser uma “turista residente temporária” no Egitão!!! Rápido e sem complicações!!!  Em apenas 8 horas (lá esperando) você consegue!

Mas uma pergunta ainda paira no ar:

Como “turista” pode ser também “residente”???

Ah meus amigos!! Isso é coisa de Egípcio!!! Não pergunte!!!

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O PREMIO DARDO ACERTOU MEU BLOG!!!

Oieeeeeeeeeeeeeeee

Ganhei meu primeiro prêmio como blogueira!!!!

O PRÊMIO DARDO

A indicação veio do Blog da Nadir Araújo (Mara!!!) AbStRaTo – O Diario de uma Perfeccionista

O significado do prêmio é o seguinte (copiado do blog da Nadir):

O Prêmio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc… Que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras.

“Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web”»

E quem receber este prêmio deve seguir os seguintes passos:

1 – Exibir a imagem do Prêmio no blog;
2 – Revelar o link do blog que atribuiu o Prêmio;
3 – Indicar outros blogs para premiar.

 

A minha indicação vai para:

A História de uma Gata por Fernanda Copatti.

 

 

Obrigado, Nadir Querida!!!!

SUSPIROS POR PARIS!

Palavra do dia:

Viagem: rihlah

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Neste novembro, aproveitamos a visita de minha mãe e o feriado do Hajj (feriado Islâmico de peregrinação à Meca) para darmos um pulinho em PARIS. Agora, após quatro dias de pura realização, me encontro sentada em minha sala no Cairo, tentando juntar todos os suspiros de minha viagem para compartilhá-la com vocês.

Chegamos a Paris numa manhã de terça-feira e estava bastante frio. Estávamos em quatro pessoas e por uma questão de comodidade, contratamos uma Van antecipadamente para nos buscar no aeroporto. Aconselho o serviço a todos aqueles que carregam mais de uma mala. Fácil, prático e de certa forma econômico.

Mouling Rouge

Pelos vidros da caminhonete, pude sentir meus primeiros momentos de emoção. Ver a cidade organizada, com o trânsito fluindo e as mulheres vestidas elegantemente pelas ruas, acabou por criar um grande contraste com minha cidade atual. Neste momento percebi  quanto o Egito está atrasado em termos de civilização e também como o Brasil, tem um longo caminho a percorrer.

Nosso hotel ficava localizado no bairro de Montmartre. Um lugar alto da cidade, simplesmente encantador. Suas ruas repletas de cafés e restaurantes, cada qual mais charmoso que o outro. Tudo parecia perfeito. As pessoas caminhando pelas calçadas com seus cães, as quitandas de frutas expondo as cores da estação e as lojas de vinhos exalando o perfume da uva. Sim, me senti como se participasse de um livro de romance francês.

Como não somos de perder tempo, largamos as malas e nos pusemos a caminhar. Era cerca de meio-dia e o sol aparecia suavemente entre as nuvens. Ao descermos as ruas da cidade, avistamos logo de cara o prédio do Mouling Rouge com seu famoso moinho vermelho. Foi um cabaré de alta responsabilidade com certeza.

Abre Parênteses

Para aqueles que querem assistir ao show do Mouling Rouge devo dizer que não criem muitas expectativas. Em minha opinião achei o típico “pega-turista”. É caro, as dançarinas são fracas e a mistura cultural apresentada é extremante confusa. Apenas uma cena da famosa dança do Can-Can é apresentada e de forma bem pouco sincronizada. Mas esta é apenas minha opinião!

Fecha parêntese

Continuando por nosso caminho chegamos então a uma parte mais central de Paris. Decidimos fazer nossa primeira refeição francesa.

Escolhemos dentre os vários restaurantes da região e pedimos então, o “vinho da casa”. Não preciso dizer que o vinho francês é excelente. Suave, frutado e desce suavemente pela garganta. Isso na verdade pode ser um problema. Hehehe. Bebemos vinho em todas as nossas refeições desde o primeiro dia. Aliás, esqueci como era o gosto da coca-cola por quatro dias. Cada dia um vinho diferente. Todos os dias as mesmas palavras:

– Este é o melhor vinho de todos!!!

Arco do Triunfo

Os restaurantes e cafés de Paris são em sua maioria, lugares pequenos e aconchegantes. Não vá a França e espere por lugares espaçosos. As mesas são juntinhas uma das outras, as pessoas ficam super próximas e o atendente tem seu próprio tempo de atendimento. Achei isso fantástico. Me senti extremamente bem em todos os lugares que almocei ou jantei. Os preços são bem razoáveis, mesmo com o vinho. Não faça uma viagem destas e economize na comida. Você estará perdendo umas das maiores atrações!!

Vista do topo do Arco

Saímos do restaurante, um tanto quanto “altos”, mas fomos imediatamente curados pelo frio. Após quinze minutos de caminhada eis que surge em nossa frente o monumental ARCO DO TRIUNFO!!! Uma construção feita em comemoração às vitórias militares de Napoleão. Algo realmente imponente e a altura deste conquistador. Ele localiza-se em uma das extremidades da AVENIDA CHAMPS ELYSSÉS, na Praça Charles de Gaulle. Após uma longa seção de fotografias, subimos as cansativas escadarias do arco. Valeu o esforço!!! A vista lá de cima é fantástica!!!! A cidade de Paris estava iluminada pelo sol e avistar pela primeira vez a TORRE EIFFEL, foi com certeza um dos melhores momentos de minha vida. Do topo do arco pode-se ver toda a cidade e suas inúmeras atrações. Foi algo realmente inesquecível.

Continuando nossa maratona parisiense, fomos nos movendo em direção à torre. Este momento foi digno de mais um suspiro, talvez o mais profundo de todos. Ao atravessar a rua, avistamos o RIO SENNA, e ao olharmos acima do rio, lá estava ela… Magnífica…  LA TOUR EIFFEL.

Tivemos uma sorte fantástica nesta hora. As nuvens pesadas de frio se aproximavam unindo-se ao sol que estava se pondo atrás da torre. Isso fez o momento ainda mais mágico, uma verdadeira obra de arte. As cores alaranjadas do céu e nossos sorrisos de literalmente abestalhados, serviram para substituir qualquer palavra.

A Torre Eiffel

Muitas vezes me questionei porque cultuamos tanto obras que foram construídas pelos homens, por vezes ainda mais do que aquelas construídas pela natureza. Apreciamos as Pirâmides, as Muralhas da China, prédios famosos e obviamente a Torre Eiffel, mas deixamos passar em branco uma cascata, uma montanha ou até mesmo uma árvore diferente.

Avistar a Torre Eiffel respondeu a todas as minhas respostas. Mesmo sendo uma obra mais recente (1889), ainda sim, é uma das coisas mais fantásticas que já presenciei. Ela simplesmente parece pertencer aquele lugar desde que o mundo é mundo. Imponente e majestosa, pode até ter sido construída pelo homem, mas pertence certamente, a toda a humanidade.

Não satisfeitos em contemplá-la somente de longe, e aproveitando o anoitecer do dia, resolvemos subir na torre. Chegamos a sua base e suas luzes então se acenderam a fim de nos dar as boas vindas. Lindo!! Aquele tom avermelhado em contraste com todo o emaranhado de ferro é emocionante. A fila estava tranqüila e passados alguns minutos de espera, lá estávamos nós, subindo pelo seu elevador (chegava de escadas pelo dia). Quando enfim, alcançamos o segundo andar, pois o topo estava fechado (sniff), entendemos a famosa expressão: Paris, a Cidade Luz!

Aquela vista é deslumbrante!! Mesmo com o frio que a esta altura convidava para a retirada, conseguimos apreciar o espetáculo da cidade iluminada, desta vez, pelas luzes artificiais que se fazem mais uma atração imperdível. Para agradecer nossa visita, a torre começou a piscar e assim permaneceu por dez minutos inteiros. Éramos parte do espetáculo!

Não deixe de subir a torre à noite, mesmo que tenha que enfrentar uma fila assustadora. Ela merece sua visita e você se arrependerá se perder este momento!!

Vista da Torre

Voltando para nosso hotel, a fim de estrear um dos diversos restaurantes do bairro, pegamos então nosso primeiro metrô.

O metrô de Paris é bem prático. As linhas são um pouco complexas e demoramos um tempo até nos adaptarmos. Uma vez ocorrido, nunca mais deixamos de usar. Esta é a forma mais econômica e fácil de mover-se pela cidade. Para aqueles que como eu, não “nadam no ouro”, o metro é um grande aliado. Por vezes tivemos que descer em uma estação e caminhar até outra para pegarmos a nossa linha, mas elas não são distantes uma das outras e aproveitamos para curtir ainda mais a cidade.

Minha mãe decidiu ficar no hotel enquanto Rodrigo e eu fomos à caça de um restaurante. Não preciso dizer que nosso jantar foi maravilhoso. Neste dia levei a minha pequena lição de moral em Paris. Ao pedir uma salada, solicitei como de costume, o vinagre balsâmico o qual não vivo sem. A atendente me olhou e simplesmente respondeu:

Saladinha básica

– Nesta salada tem tudo o que você precisa!!

Fiquei um tanto quanto irritada nesta hora. Como assim não vai trazer o vinagre??? Ao experimentar a salada tive que dar toda a razão à moça!! A salada estava perfeita do jeito que viera. No final do jantar eu me dirigi a ela e disse:

– Você tinha toda a razão! Era tudo o que eu precisava!

Na verdade ocorre que os franceses apreciam tanto a culinária que eles definitivamente, não gostam que você altere os sabores criados por eles. E eles estão certíssimos!!! Todos os restaurantes apresentam a opção de Menu Pronto. Você escolhe entre cinco entradas, cinco pratos principais e cinco sobremesas. O melhor disso é que você não erra nunca!!! Comi pratos simples e espetaculares. Todos eles feitos com muita perfeição. É só sentar e escolher, sempre acompanhados de um vinho nacional, lógico.

No segundo dia, após uma noite de sono para recompor as baterias, continuamos nossa caminhada por Paris até batermos de frente com a Galeria Lafayette. Para aqueles que curtem umas comprinhas, não há lugar melhor em Paris. As taxas são quase nulas e você encontra simplesmente de tudo!! Toda decorada por motivos natalinos, o lugar estava convidativo a torrar alguns euros. Mas eu resisti bravamente à tentação e consegui sair de lá sem uma sacolinha sequer.

Museu do Louvre

Após o almoço fomos conhecer o MUSEU DO LOUVRE. Imaginem uma quadra inteira, decorada por um castelo gigantesco, digno de filmes de aventura antigos. Na entrada localiza-se a pirâmide de vidro, que iluminada, transforma o local em uma paisagem inacreditável. Lá dentro encontram-se obras como a Mona Lisa, Vênus de Miló, pinturas valiosíssimas e esculturas de arrepiar a alma, tamanha perfeição.

É impossível conhecer o museu em apenas um dia. Se você ficar em Paris por uma semana, aconselho gastar um tempo por lá, mas como eu tinha apenas quatro dias, tive que visitar apenas as principais atrações do local. Valeu cada minuto corrido!

O MUSEU DE ORSAY também é ponto obrigatório de visita. Por ser muito menor que o Louvre, mas também de grande importância, é possível ser melhor aproveitado em curto tempo. As Portas do Inferno de Rodin e pinturas de Van Gogh, Monet entre outros são obras fantásticas.

Catedral de Notre-Dame

Atravessando o Rio Senna, em uma pequena ilha chamada Île de la Cité encontramos a CATEDRAL DE NOTRE-DAME (1163 d.C.) Uma obra dedicada à Maria, mãe de Jesus. Decididamente fabulosa!! Avistar o local me remeteu ao desenho animado da Disney do Corcunda de Notre-Dame, impossível não lembrar! Mas ao me aproximar dela, me senti como em um filme de suspense. Seus gárgulas observando as pessoas lá de cima são quase que assustadores e chegam a dar arrepios. Sua formação gótica nos dá a impressão de velha, mas na verdade esta Catedral é perfeita em sua forma. Em seu interior pode-se ver os vitrais não avistados por fora e sua cúpula é realmente linda. O famoso órgão, que infelizmente não pode ser visitado, é imponente e magnífico. Não sou uma pessoa religiosa, mas a catedral conquista qualquer cético ou ateu por sua simples beleza.

Com o tempo estava em nosso favor e as horas custavam a passar, decidimos especular mais profundamente a Avenida Champs Elyssés. Meu Deus!!! Se eu me achava pobre, ali tive a certeza!!! As coisas mais lindas e mais caras resolveram se unir naquele local e debochar da minha cara!! Admiro as mulheres de coragem que pagam EUR 10.000 em uma bolsa ou ainda EUR 20.000 em um casaquinho (e isso é baratinho viu?). A mim, restava apenas registrar a fachada das lojas com minha máquina fotográfica. Mas a rua em si é maravilhosa. Tanto a noite quanto durante o dia, o charme daquela avenida é indescritível. Seus cafés, suas lojas luxuosas, suas extremidades… Cartões postais de Paris indiscutíveis

Como já era noite, voltamos até o Arco para merecidamente, vislumbrar suas luzes à noite. Mas assistir, agora de longe, o piscar das luzes da Torre Eiffel, definitivamente foi um dos melhores momentos de minha viagem. Assistir ao espetáculo das luzes, sincronizadas, parecendo brincar com a ela, encheu meu coração de emoção e meus olhos de lágrimas. Imperdível!!!

Avenida Champs Elysses

Locais como a Praça da Concórdia, onde se encontram o Obelisco egípcio, o Estatuário, o belo chafariz e lindas edificações do século XVIII, assim como a Ópera Garnier, o Centro Pompidou, o Pantheon e a Assembléia Nacional, também valem muito a pena serem vistos.

A Torre Eiffel ao Piscar

No últimodia,como estávamos com pouco tempo, ficamos passeando pelos arredores do nosso hotel. A Basílica de Sacré Cœur é a principal atração do Bairro de Montmartre e é uma obra digna de visitação. Lá de cima de suasescadarias é possível avistar uma bela imagem de Paris e logo ao seu lado, a Praça dos Artistas, onde são expostos trabalhos e pinturas dos artistas locais vale o esforço da caminhada. O lugar é um dos pontos mais altos da cidade e suas ladeiras são cansativas porém extremamente charmosas.  Amei “ganhar” um tempinho por lá.

Feita nossa última refeição e após comprar algumas garrafas de vinho que não podiam ser deixadas para trás, é chegada a hora da despedida. Confesso que enchi os olhos de lágrimas ao me despedir de Paris. Não foi suficiente. Eu queria mais daquela cidade. Eu queria para sempre!

Saber que o Cairo me esperava não me confortava nem em pouco. Quando tomamos um banho de civilidade é difícil aceitar o fim. Infelizmente não vemos isso por aqui (no Cairo). Não quero me queixar, nem ser ingrata ao Egito, mas após conhecer Paris, torna-se impossível não comparar. Até mesmo com o Brasil que é minha pátria. Em Paris a educação, mesmo que à moda francesa, contagia. A elegância das pessoas, o perfume da cidade, a organização e o respeito são dignos de aplausos.

Nós, provindos dos países de terceiro mundo temos muito a aprender. Precisamos acordar e perceber que não existe mais tempo para o jeitinho brasileiro ou a ignorância egípcia (falo no aspecto cultural). Precisamos nos dar conta que podemos também ser melhores, educados e cordiais. Aproveitar aquilo que a história e as sociedades nos oferecem não é apenas preciso é indispensável!!!

Ao Revoir!!!

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