MEUS QUERIDOS AMIGOS

Nesta sexta passada fomos convidados para um churrasquinho
entre amigos aqui no Cairo e um dos assuntos em pauta foram as amizades fazemos durante o período de expatriado. Algumas pessoas acreditam que estas amizades são passageiras e outras acham que serão eternas. Bem, aqui vai mais uma vez meu ponto de vista.

Acredito sinceramente que se não fossem as amizades que fazemos quando estamos fora, seria praticamente impossível sobreviver. Quando estamos inseridos em uma cultura muito diferente da nossa, a tendência geralmente é nos isolarmos e muitas vezes ficarmos depressivos. Conheço muitas pessoas que são infelizes morando fora simplesmente porque não conseguem aproveitar o que a vida as tem tentado ensinar.

Para mim é muito difícil viver no Egito. Toda essa cultura diferente. Todas essas pessoas que não são em nada parecidas comigo. Ao mesmo tempo, agradeço à vida todos os dias por ter me dado essa oportunidade. Estou aprendendo muito e me tornando certamente uma pessoa melhor. Mas se não fossem meus amigos, talvez essa experiência não fosse tão gratificante.

Com as amizades a imagem do lugar que vivemos torna-se um pouco menos assustadora. Temos com quem dividir nossas frustrações, descobertas e principalmente nossa raiva. Porque acreditem, ficamos com muita raiva por aqui! Mas tendo amigos não precisamos guardá-la apenas para nós mesmos, porque certamente aquela pessoa que nos ouve, tem um sentimento muito similar ao nosso.

A saudade também é um pouco suavizada por estas amizades. Não que os amigos substituam a família ou mesmo os amigos deixados em nosso país, mas certamente eles ajudam a nos fazer pensar menos sobre o assunto. As pessoas daqui passam a ser a nossa família.

Portanto, acho muito difícil que as amizades que aqui construí irão se dissipar no tempo. Obviamente que com a separação, as lembranças ficam mais amenas, mas isso não significa que fiquem esquecidas. A memória de nossos corações, tenho certeza, é eterna.

Já me separei de amigos antes e me reencontrei com eles anos depois. Meus sentimentos permaneciam inabalados como se a separação nunca houvesse ocorrido. Com minha melhor amiga aconteceu isso. Nos separamos na adolescência e anos depois voltamos a nos encontrar. Mesmo tendo crescido, amadurecido e mudados nossos planos que outrora foram conjuntos, ainda assim, permanecíamos as melhores amigas. Hoje mais uma vez fomos separadas pelo destino, mas carrego-a todos os dias em meu coração.

Claro que isso não acontece com todos os amigos que passam por nossa vida. Nem todos ficam para a eternidade de nossas mentes. Existem pessoas que encontro através das redes sociais que por vezes custo a lembrar de onde são. Quando lembro, muitas vezes percebo que elas fizeram parte de uma importante etapa de minha vida, mas que certamente não foram realmente amigos. Gosto de chamá-los de conhecidos.

Acredito que os conhecidos chegam e passam por nossa vida por uma razão ou com uma missão. Menos importante que os amigos certamente. Mas todos são importantes em sua maneira. Nada nessa vida acontece por acaso. Nisso acredito fortemente. Por aqui também deixarei alguns conhecidos.

Mas isso não acontece com os amigos de verdade que fazemos fora. Estes sim têm um grau de importância muito significativo. Eles nos fazem suportar!!! E somente quem vive fora de sua pátria sabe como é difícil suportar!!!

Criamos esse vínculo com estas pessoas e depois quando nos damos conta que um dia iremos embora, percebemos como será difícil. A vontade de voltar para casa chega até mesmo a ficar duvidosa. Ficamos viciados uns aos outros. E agora?? Como vai ser quando o fulano for embora? O que eu vou fazer?

Bate um certo desespero.

Como criar uma nova rotina sem estas pessoas? Sem os telefonemas diários? Sem os jantares ou confraternizações que chegam a ser mais freqüentes do que as que costumávamos fazer com nossos amigos no Brasil?

Agonia…

Se voltarmos para nosso país, até poderá ser mais fácil. Mas não se esqueça que as pessoas que deixamos por lá, mudaram sua rotina e aprenderam a ficar sem nós. Teremos que nos re-enquadrar. Adaptar-nos novamente.

Se formos para outro lugar, teremos que começar tudo de novo, com pessoas novas e mesmo sabendo que isso indiscutivelmente ocorrerá, elas não serão como aquelas que deixamos por aqui.

A parte boa da história é que hoje tenho pousada em todos os lugares do Brasil… Rio, São Paulo, Minas, Bahia e por aí vai. Fora os internacionais como Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos e obviamente Egito.

Meus amigos do Egito são relíquias maiores do que as pirâmides. Serão eternos tenho certeza. Espero manter para sempre contato com eles. Sei que eles não serão mais parte de minha rotina no dia em que eu for embora, mas nunca deixarão de ser um pedaço da minha vida.

Quero agradecer a todos os meus queridos amigos do Egito por se fazerem tão importantes em minha vida! Vocês fazem a minha vida por aqui muito melhor!!! Amo vocês!!

Muito Obrigado!!!!

5 comentários (+add yours?)

  1. Anónimo
    Jul 19, 2011 @ 12:17:18

    Império Abássida, fatimídas!
    Drusos, Nefésh!
    Egyptos! E Clepsydras!

    Responder

  2. Glauce
    Maio 23, 2011 @ 12:13:51

    O que seria de nós sem os amigos! Sandrinha, sem vc o Egito nao tem a mesma graça.
    Andreia, vc tem toda a razão! Já passei por isso antes e sei que as amizades ficam!

    Responder

  3. Sandra
    Maio 23, 2011 @ 05:07:06

    Creio que fui a pessoa que mais sofri, chegar aqui a 31 anos atraz era como se tivesse voltado aos anos antes de Cristo, muitos se foram e com eles se foram minhas lagrimas, hoje ja esta bem melhor a internet que nos ajuda a mantermos contatos que nos alvia a dor da saudades daqueles que foram muito importante para min e minha familia Hoje e sempre lembrarei sempre de todos com muito carinho e amor, como vc diz todos fazem parte da nossa familia,Beijos amigas e amigos amo todos voceis

    Responder

  4. Neide Barbosa
    Maio 22, 2011 @ 14:50:58

    Olá🙂
    Eu tb falei de amizade no meu blog hoje. Realmente quando estamos longe do nosso “habitat natural” hehehhehe faz necessário esse convivio até mesmo para o bem da nossa sanidade mental. Minhas melhores amigas estão no Brasil e acredite que falo com elas duas ou 3 vezes por ano mas mesmo assim nao deixam de ser minhas amigas, é como se eu nunca tivesse saido de perto delas. Acho q isso é amizade de verdade.

    Responder

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Quantos já passaram por aqui...

  • 336,119 acessos

del.icio.us

The best

RSS A História de uma gata

  • Memorial 19/05/2016
    Tá tudo certo. Resolvido. Jurado e sacramentado. Até que percebo uma leve alteração na respiração ao estacionar o carro e meu coração acelerar no elevador e bater na garganta quando chego na porta. Ela abre. Eu disfarço. Faço uma piada, enquanto minha mente me joga, sem dó, frames de sons, momentos e sensações. Me lembra que voltei a brotar ali .E eu penso n […]
    noreply@blogger.com (Fernanda Copatti)

Indique o seu endereço de email para subscrever este blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 354 outros seguidores

%d bloggers like this: