WELCOME TO SUEZ.

Palavra do dia:

Meu nome é Andréia = Íssmi Andréia = اسمي Andréia

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Bom, hoje vou falar um pouquinho sobre uma pequena aventura que tive semana passada. Para variar um pouquinho nosso dia a dia, resolvemos ir jantar em um restaurante próximo ao nosso hotel, em uma cidade chamada Suez. O restaurante por sua vez era muito bom, a comida e os demais componentes da janta foram surpreendentes até, apenas os garçons insistiam em ver uma novela local na televisão a uma altura ensurdecedora, não parecendo estarem muito dispostos a levantar de suas confortáveis cadeiras para nos atender. Após o término da refeição, decidimos dar uma voltinha no centro da pequena cidade e aí meus amigos, que começa a aventura.

Suez é uma cidade 99% muçulmana no que se tratando de vestes, significa que as mulheres andam todas cobertas com seus véus (hijab) ou então com a famosa burca, a qual cobre todo o corpo restando apenas os olhos de fora. Os homens por sua vez, e só para variar, são normais, mas permitam-me fazer um pequeno comentário sobre suas roupinhas básicas… Aqui quanto mais justa a calça e a camisa melhor!!! Para nossos olhos isso seria um tanto quanto afeminado não é mesmo? Mas para os egípcios não, eles adoram!!! As cores então? Rosinha bebê aqui é mais comum do que em menina recém nascida. Estampas misturadas, calças jeans apertadinhas, cintos grandes e sapatos bem chamativos parecem fazer parte da moda em qualquer lugar do Egito.

Quando chegamos ao centro percebi realmente que lhes falta diversão por aqui. Simplesmente todas as pessoas da cidade pareciam caminhar por entre as ruas sujas e largas do lugar, estava simplesmente lotado. Acredito que eles tenham isso como divertimento pois certamente a TV não parece ser uma boa opção por aqui já que os canais realmente não são sortidos e somente a classe alta pode pagar uma TV por assinatura. Ao descer do carro logo me deparei com os mais diversos olhares, vindos de todas as partes e contendo os mais diversos pensamentos. Confesso que não foi meu melhor momento até agora, senti-me como se fosse julgada por todas as mulheres do lugar. Não sabia se realmente era por eu não usar o véu e cobrir os meus cabelos ou por eu estar de mãos dadas com meu namorado o que para alguns muçulmanos é considerado insultivo. Talvez pudesse ser também por uma certa admiração pela coragem que eu apresentava em andar em um lugar desconhecido por turistas, mas até agora não identifiquei bem aqueles olhares.

A medida que íamos caminhando mais violada me sentia, o que realmente me deixou bastante insegura pois enquanto turista você nunca sabe como se dá a aceitação local. As lojas lembravam muito aquelas dos centros das grandes cidades do Brasil (Assis Brasil, 25 de março, etc…), as vitrines abarrotadas de mercadorias de qualidade duvidosa e grandes caixas de som nas portas tentavam chamar a atenção das pessoas, o que tornava o barulho realmente perturbador e as músicas erma eletrônicas, porém árabes Imaginem só!! Devo destacar também as negociações envolta das mercadorias. Pensem em algo interminável, parece que eles estão brigando entre si, até que uma das partes acaba por ceder e eles passam a se tornar os melhores amigos! Realmente muito engraçado!

As crianças andavam soltas pelas ruas e elas eram as únicas que me olhavam e sorriam, parecendo ter uma curiosidade imensa em me tocar, mas a falta coragem não permitia. Às vezes elas me seguiam e eu quase que tropeçava nelas. Os homens também eram um pouco abusados, simplesmente eu não podia olhar direito para frente, parecia que eu estava querendo encarar eles então me encaravam de volta, o fato de eu estar acompanhada não parecia perturbá-los nem um pouco.

Descobri que as estrangeiras aqui são aparentemente tachadas como “fáceis”, pois nenhuma muçulmana é abordada ou encarada na rua pelos homens daqui. Se você não se cobre inteira passa a impressão que está disponível. Eu estava bem coberta até porque estava frio, mas meus cabelos e minha cor de pele me entregam rapidamente! Certamente terei que conviver com isso. Mas tudo bem!! Não vamos morar em Suez e o Cairo por sua vez é bem mais liberal, ao menos lá posso mostrar os braços. Agora imaginem quanta liberdade heim??

Retornamos para o hotel e eu me senti aliviada por estar sã e salva. Fascinada também pois tive a oportunidade de conhecer um outro lado desta cultura que até então só havia escutado falar. Realmente para mim foi surpreendente, enquanto mulher principalmente. Me desculpem às simpatizantes desta religião mas me sinto muito triste pela forma que as mulheres são tratadas e se deixam tratar por aqui. Para mim é absolutamente inaceitável que a liberdade em se vestir, falar e se portar não seja válida para ambos os sexos. Não vou generalizar todos os egípcios ou muçulmanos, mas até agora são raras as minhas experiências que me provem ao contrário, mas isto logicamente é a minha opinião!

Beijos a todos!!!

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