OS ADOLESCENTES DO EGITO

Tardei mais voltei…

Devo confessar que andava sem assunto ultimamente. Minha criatividade não estava presente nesse corpo e a preguiça estava tomando conta do meu ser.

Mas, na semana passada um ocorrido fez com que novamente um “click” estalasse em minha mente. Comecei então a juntar algumas informações e resolvi escrever  sobre o assunto citado no título acima: Adolescentes egípcios.

Ao fazer uma progressiva no cabelo de uma menina de quatorze anos percebi que adolescentes no Egito são seres repletos de dúvidas e inseguranças.

Até aí nenhuma novidade não é?

Mas, ao contrário do que você está pensando, as dúvidas e inseguranças dos jovens daqui são muito diferentes dos jovens daí.

Enquanto os teens ocidentais pensam em coisas do tipo como não engordar, como ficarem saradinhos, na roupa que vão colocar na festa, como inventar mentiras para os pais, no namoradinho (a), na virgindade que (não) custam a perder e por último no futuro profissional. Os adolescentes egípcios carregam fardos um pouco mais árduos.

Uma das maiores preocupações das meninas, por exemplo, e na hora em que deverão utilizar o véu.

De acordo com o Alcorão, a mulher deve usar o Hijab a partir da primeira menstruação. Mas, na prática isso nem sempre acontece. Algumas meninas relutam a seguir esta regra.

Para mim, nada mais que um sinal de evolução, para outros, um pecado mortal.

Ao conversar com esta menina, perguntei se ela já havia decidido quando daria esse passo. Ela respondeu dizendo que esta era a decisão mais difícil que uma jovem tinha que tomar. Ela gostava da liberdade de usar seu cabelo do jeito que ela quisesse.  Adorava fazer penteados e usar ornamentos nas madeixas. Mas ao mesmo tempo se punia por não estar seguindo as regras de Deus, mas que com a ajuda de Allah ela em breve tomaria coragem.

Então eu perguntei o que aconteceria se ela não usasse o véu. Ela respondeu:

- Se eu não usar o véu eu tenho ABSOLUTA certeza que eu não vou para o céu!!!

Eu, me fazendo de boba continuei:

- Mas quem disse isso?

- Allah ora!!! O profeta Mohamed é muito claro em suas palavras através do Alcorão!!

Foi então que não resistindo à tentação eu indaguei:

- Então isso quer dizer que eu estou fadada as chamas do inferno????

Silêncio e um sorriso sem graça…

Para amenizar eu disse:

-Não se preocupe… Se eu for para o inferno esse será o motivo mais irrelevante na hora do meu julgamento!!!

Hahahahahahaha

Só para deixar clara a piada, eu não acredito no inferno, ok?

Mas o que mais me chama a atenção nisso é que as famílias, ou melhor, parte delas, não está mais forçando as meninas a usar o véu.

Muitas mães que eu conheci, deixam a critério das filhas a sua própria fé. Isso para mim é um grande passo nessa sociedade. O livre arbítrio.

Nas classes mais baixas, o véu ainda é obrigado pelas mães e pelos pais. Acredito que a razão seja a ignorância de informação mesmo. Essas classes são mais manipuláveis e questionam menos os ensinamentos.

Ao mesmo tempo, nas classes mais altas, percebi que meninas mais velhas que nunca usaram o Hijab, decidiram passar a usar depois de tempos. Sem mais nem menos passam a cobrir suas cabeças. Questionei a razão disso e a resposta foi que hoje em dia elas estão mais maduras para compreender os ensinamentos do Alcorão. Que desta forma se sentem mais junto de Deus e que encontraram a sua fé.

Para mim: Retrocesso

Outra grande diferença na mentalidade é a sexualidade dos jovens.

É sabido e também dito pelo próprio profeta que toda e qualquer criatura terrena inicia seu período sexual no início da juventude. É impossível escapar das mudanças hormonais. Elas vão acontecer de qualquer jeito.

No Egito não é diferente. Os adolescentes têm nitidamente os desejos sexuais aflorados, porém são obrigados a esconder suas sensações e desejos. Isso, na maioria das vezes acarreta várias consequências irreparáveis na fase adulta.

Ao caminhar pelas ruas do Cairo é fácil observar os grupos de jovens entre 14 e 18 anos interagindo de uma forma extremante imatura. Os meninos principalmente. Ao invés de estarem voltados para as meninas estão preocupados com os amiguinhos. Se abraçam e se acariciam de uma forma excessivamente íntima. A meu ver, isso é mais um sintoma dessa castração sexual imposta pela religião e pelos costumes.

O sexo masculino principalmente precisa extravasar a sua volúpia. Conter isso só trará mais problemas. Principalmente a homossexualidade. Existem muitos estudos que comprovam que a iniciação sexual do menino no Egito ocorre com seu melhor amigo. Eu não estou inventando isso não. Só pesquisar no Google.

As meninas, para suprir suas necessidades acabam casando-se com o primeiro pretendente que aparece pela frente. Muitas vezes fazendo escolhas erradas e precipitadas.

A irmã mais velha dessa menina também é minha cliente. No auge de seus 30 anos, ainda procura o par ideal. Conversando com ela sobre esse assunto ela me esclareceu muitas dúvidas.

Ela me contou que tem muitas amigas que se casaram com verdadeiros crápulas, apenas para se livrar do peso do casamento. Ficar para titia aqui no Egito é um problema sério.

Perguntei a ela o porquê desse desespero e então ela largou a máxima:

- Queridinha… Se a gente na casar a gente não vai transar nunca!!!!

A maioria dos jovens egípcios já estão comprometidos desde a infância.

Isso por vezes traz uma certa segurança, principalmente para as meninas. Estando seguras do matrimônio, elas não precisam se preocupar tanto com a estética como as ocidentais.

Outras vezes isso é um motivo de desespero. A rejeição pelo escolhido transforma a vida dessas meninas em um inferno constante. Imaginar-se casada com aquela pessoa que ela repudia não é nada acalentador.

Para os meninos, ter um parceiro pré-determinado simplesmente significa que a perda de sua virgindade está garantida. Claro que se a menina for um verdadeiro bagulho o jovem ficará frustradíssimo, mas os hormônios ignoram esse contratempo na maioria das vezes.

Os jovens aqui não namoram. Ficam noivos e casam. Não existe a pegadinha de mão. O beijo roubado ou os amassos atrás da igreja…

Conversando com as adolescentes, percebi que existe uma certa frustração  por elas terem nascido meninas. Na mente dessas meninas, a vida do menino é mil vezes mais fácil. O Egito gira em torno do sexo masculino.

Conversando sobre gravidez e filhos, reparei que a grande maioria delas preferem ter meninos. Mas não porque a religião prega que os homens são mais fortes e blá blá blá, mas porque a vida delas é muito sofrida mesmo e elas não desejam que suas filhas passem pelo mesmo.

Por outro lado as exigências e expectativas sobre os meninos são inúmeras. Eles precisam ser os comandantes da família. Eles precisam ganhar dinheiro suficiente para sustentar a prole e a esposa. Não existe outra meta na vida a não ser esta. Isso é um fardo grande a ser carregado.

Certamente que atrás de uma história triste sempre existe um lado positivo a ser avaliado. No caso dos adolescentes egípcios, o direito de ser criança ou jovem sem se preocupar com os padrões estéticos e sexuais que a sociedade ocidental impõe é o melhor lado.

Aqui eles brincam, saem, fazem festa sem maldade. Os assuntos não envolvem sexo, drogas ou aneroxia. Eles simplesmente são crianças. Isso eu tenho que admitir é maravilhoso.

Tenho muitas amigas brasileiras que preferem criar seus filhos no Egito que no Brasil. Elas temem pelos excessos da sociedade e pela sexualidade precoce que nós desenvolvemos. Aqui você pode ficar bem mais descansada, não tendo a necessidade de se tornar um radar ambulante sobre as companhias e hábitos do seu filho.

Mas também penso que um pouco de sexualidade não faz mal a ninguém. Crescer  sem contato físico (e isso aqui vai até os 25/30 anos) não pode ser muito saudável. O ser humano precisa aprender sobre sua sexualidade enquanto jovem. Do contrário serão adultos frustrados e problemáticos.

Então nem tanto ao céu nem tanto ao inferno não é mesmo?

Uma “afofadinha” não faz mal a ninguém!!

Ao contrário de muitas opiniões, eu penso que casar virgem é uma perda de tempo (hahahaha). A possibilidade de essa relação (sexual) ser prazerosa é bem menor do que as relações entre casais mais experientes.

Nada como a prática!!!

Uma prova disso são os jovens egípcios que moraram no exterior e tiveram a oportunidade de se relacionar com outros parceiros.

Ao se apaixonar por outra pessoa que não aquela que está prometida, ele percebe que o amor é muito mais do que um comprometimento de casamento. A frustração destes jovens ao retornar ao seu país e serem obrigados a casar com pessoas as quais eles não amam é terrível.

Para aqueles que se casam virgens não tenho certeza do que é pior. Imagine nunca saber se aquilo que eles possuem é o “pacote completo” ou se poderia ser muito melhor?

Foi exatamente isso que eu disse para a minha cliente que por opção própria ainda não casou.

- Mas como você vai saber se seu parceiro é o ideal quando você nunca teve outro?

Resposta:

- Às vezes é melhor não saber o que tem lá fora. A decepção é menor…

Mas pensem bem…

Ser privado do primeiro beijo, da sensação da paquera e até da decepção amorosa é realmente necessário?

Quem não se lembra desses sentimentos adolescentes tão marcantes? O que mais significaria a adolescência se não estas descobertas fantásticas?

Antes que os mais radicais se manifestem, eu concordo: Sim o Brasil está demais… Muito precoce, muito exposto e muito prematuro para os jovens. Acredito que seja necessário existir um meio termo para tudo.

Mas ignorar a explosão física e hormonal da adolescência e conter os impulsos de uma forma tão radical não pode ser saudável. Do contrário Alah não teria nos dados todas estas descobertas simplesmente para que fossem traduzidas como forma de pecado.

Para que fazer do sexo algo tão bom??? Porque então não fazer como as plantas… Joga a sementinha no ar e vê no que dá?

Que nos poupasse então de tamanha tentação não é mesmo???

Beijos

VOANDO COM A EGYPTAIR

Quero começar este post dizendo que vou me esforçar o máximo para não ser demasiado crítica com o povo egípcio. Tenho recebido alguns comentários dizendo que eu só falo mal do Egito e tal. Mas devo reconhecer que realmente não sou do tipo de pessoa compreensiva, daquelas que vê um lado bom em qualquer situação. Sou estressada, crítica e meu “pavio” é bem curto, inclusive com os brasileiros também.

Mas quando trata-se de voar, devo dizer que não tem como ser muito polida não. Pois esta é uma das situações que mais me deixam inconformada aqui no Egito.

A Egyptair é a principal (e talvez a única) companhia aérea do Egito. No que se refere a rotas, ela é super completa. Possui vôos diários para Europa e toda a África. Os preços são super em conta e preciso dizer que ela tem facilitado e muito minha vida (milhas). Mas quando se trata de qualidade em serviços e atendimento… Bem, aí começam os problemas.

Voar com a Egyptair é uma aventura e tanto.

A diversão já começa logo na chegada ao aeroporto. São filas e filas para o Raio X. Aí você vai dizer que em Guarulhos também é assim e blá blá blá. Concordo!!! Detesto Guarulhos!! Mas em São Paulo o problema geralmente se dá pela quantidade de pessoas a embarcar. Aqui o problema é a quantidade de MALAS.

Povo egípcio não sabe viajar com uma malinha básica. Tem que levar o armário todo!!! São quilos e quilos de malas, vários carrinhos de bagagens e ainda as sacolinhas de supermercado que as mulheres levam consigo, além da bolsa e da mala de mão.

Aí você está lá na fila do check-in quando na sua frente tem uma família inteira (cerca de 8 pessoas no mínimo) se debatendo e gritando com o atendente porque querem sentar na janelinha…

Inutilmente o atendente tenta explicar que o vôo está lotado e que não tem o que fazer. Mas egípcio que se preza não se dá por vencido, chama logo o supervisor e aí começa aquele papo de “Você sabe com quem está falando?”. O coitado do supervisor faz o possível, mas aí a confusão já está formada e a família sai reclamando e gritando, insatisfeita e inconformada com a situação.

Como que o Mohamed não vai sentar na janelinha né???

Passado este momento prazeroso, você se desloca para a sala de embarque. Lá já estão todos aguardando pelo vôo como se aquilo fosse o maior evento social do ano. As egípcias mais novas estão no seu melhor traje, todas maquiadas. Enfeitadas como se fossem para uma festa no Country Club. As mais velhas estão com suas galabeias pretas bordadas com pedras brilhantes e com as suas sacolinhas do Carrefour na mão.

As crianças estão TODAS correndo pela sala Aí você pensa consigo mesmo que quando elas entrarem no avião, as energias estarão esgotadas e elas vão cair em um sono profundo.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH

Daqui a pouco bate aquela fominha né? Mas para que ir até a cafeteria do aeroporto se a egípcia prevenida já trouxe o lanchinho de casa?

Lá vai ela, abrir sua sacolinha e tirar lá de dentro as mais diversas iguarias. Pão, homus (uma espécie de patê), bolinho de frutas secas, suquinho de caixinha quente, pasteizinhos e para não ficar só no carboidrato, ela leva também OVOS COZIDOS COM CASCA, os quais ela prontamente descasca ali mesmo, na sala de embarque.

Agora, você imagina o cheirinho apetitoso no ar…

A esta altura o vôo já está atrasado, sim porque vôo da Egyptair nunca sai no horário e você já esta impaciente com aquela “muvuca” da sala de embarque quando chega o fiscal de passagens.

Fila???? Crianças e idosos na frente??? Isso existe????

Os egípcios saem correndo para serem os primeiros a embarcar, mas antes disso o fiscal começa a perceber que as malas de mão estão BEEEMMMM acima do tamanho permitido. Claro, porque ele não viu isso na hora do check-in? Gentilmente ele pede aos passageiros que despachem a bagagem de mão, pois não haverá espaço na aeronave.

AHAMMMMMM. Senta lá!!!

Egípcio que se preza discute até o fim. Não se dá por vencido nunca!! E não é que ele ganha na base do grito?? Lá vão eles com suas “malinhas” tentar colocá-las no porta-pacote do avião. Advinha a confusão que não ficam os corredores???

Após o empurra-empurra na entrada da aeronave, você se senta confortavelmente (ironia) no seu lugar MARCADO e aguarda a decolagem, quando vem um egípcio desavisado e diz que você sentou no lugar dele.

- Não moço, sua poltrona é a 21B, aqui é a 12B.

Claro né, os árabes lêem de trás para a frente!!! (sarcasmo) E por vezes não estão familiarizados com os números ocidentais. Vem a aeromoça sorridente e acompanha o passageiro até o lugar correto. Isso acontece com vários passageiros. Sem contar o troca-troca de lugar para as famílias sentarem juntinhas.

Quando você acha que finalmente as portas se fecharão… Ainda faltam uma ou duas famílias que estavam dando uma voltinha pelo Free Shop. Como eu sei disso? Pela quantidade de sacolas dizendo DUTY FREE na mão delas.  Lá vêm elas fazendo confusão e gritaria pelos corredores. Como se fosse um absurdo o avião não esperar por eles.

Fecham-se as portas e o comandante dá as boas vindas, primeiramente em árabe o que é lógico, já que se trata da Egyptair e depois em inglês… Inglês??? Você simplesmente não entende nada do que ele diz. O som fica chiado com um ruído “babado”e até parece que o comandante está engolindo o microfone. Minha teoria é que é proposital já que geralmente o inglês da tripulação é precário. Assim, ninguém vai perceber que ele não sabe falar inglês.

Fica mais ou menos assim:

- Ladies and gentlemam shisnnsj on board shhshshshshshs flight shshshshshs… Sanky you!

Começa então as instruções de segurança no visor, mas antes algumas palavras do Alcorão que confesso até hoje não sei o que elas dizem. Apertem os cintos, poltronas na vertical e lá vamos nós…

O problema é que as crianças continuam correndo pelos corredores… Os pais gritando e os atendentes de bordo tentando pegar as crianças. Até que eles desistem e a decolagem sai assim mesmo.

Você já está tentando tirar aquela sonequinha quando percebe que, bem perto de você, estão sentadas uma quantidade razoável de crianças que começam a ficar impacientes com o vôo. Elas começam a chorar porque querem descer do colo da mãe, chutar a poltrona, brigar com o irmãozinho, dar tapa na cara do pai e sabe o que os pais fazem??? NADA!!

Eles olham para você com aquela cara de quem não está nem aí. Porque para eles criança de cinco anos não tem como controlar. É tudo “bonitinho”. Alguns até chamam a atenção, mas de nada adianta. E assim passam as horas de vôo e você não conseguiu nem dar uma piscadinha…

Os recém nascidos (sim porque egípcio adora viajar com recém nascido) estão chorando compulsivamente. Sabe por quê? Porque as egípcias não podem amamentar em público então quando a pressão do avião bate nos ouvidinhos dos bebês, as mães não podem fazer nada. Mamadeira? Nãooooo!!!! Só leite da mãe!!!

Na hora da refeição, aí sim o caos toma conta. Lá vem as aeromoças com o carrinho que mal cabe no corredor do avião. Mas é aí que o egípcio resolve ir no banheiro. É sempre a mesma história! Ele teve todo o tempo do mundo antes, mas a vontade só bateu agora né? Então, eles querem que as comissárias retirem o carrinho da frente para eles passar. E o pior é que elas fazem!! Não esqueça que tem a volta do banheiro né? Lá vão elas de novo de lá para cá, desviando das crianças que estão correndo novamente.

Somente uma vez eu vi uma aeromoça se recusar a sair. O vôo estava insuportável, todos se levantando e ignorando o sinal de apertar os cintos e ela tentando servir as refeições, quando um senhor levanta-se para ir ao toalete. Ela olha para e ele e diz algo do tipo “Sinto muito, mas o senhor vai ter que esperar.” Não é que o homem ficou o tempo todo atrás dela até a porta do banheiro reclamando???  Ela não saiu!!! Essa é das minhas!!!!

Na hora da aterrissagem é ainda pior. Nem vou mencionar a questão do cinto para não me tornar repetitiva. A bagagem de mão, que deveria estar embaixo da poltrona ou nos compartimentos apropriados, estão no colo dos passageiros. E ali ficarão!

Os alertas luminosos estão acesos, mas as pessoas simplesmente ignoram. Lá vem a tripulação levar cada um para seu lugar. As crianças? Bem, destas eles já desistiram desde a decolagem, lembra?

O avião toca o chão e você começa a escutar os barulhinhos dos telefones celulares. E quanto àquela regra de não ligar os telefones até se abrirem as portas? Egípcio que se preza não fica sem celular. Tem que avisar que chegou!!!

A aeronave ainda está em movimento, os alertas ligados, mas todos já estão em pé tentando pegar as “malinhas” e correr para a porta. Quem chegar primeiro ganha!!!! Ganha o que? Não importa, o importante é competir!!!

Mas não se esqueça que tem aquela família (os oito) que resolve levantar bem na hora que você está passando. E obviamente ela quer sair antes que você. Então você literalmente é empurrado para trás através de bundadas e é obrigado a esperar até que todas as sacolinhas sejam recolhidas.

A esta altura você já está exausto!!! Mas ainda não acabou.

Se você está chegando ao Cairo apenas completou a metade da empreitada. Tens que passar pela imigração e depois pegar as malas que geralmente demoram uma hora para serem colocadas na esteira. As vezes mais que o tempo de vôo. As crianças continuam correndo, só que agora em cima da esteira, ou empurrando os carrinhos de mala, batendo no seu calcanhar. Você fica ali em pé, uma hora, com cara de bobo pensando:

-O que foi que eu fiz?????

Visão Egyptair:

“Entregar competitividade e serviço ao cliente com o verdadeiro espírito egípcio.”

Beijos

EGITO, SAIA DO ARMÁRIO!!!

Um dos assuntos mais discutido nestes últimos meses é o casamento entre homossexuais. Alguns países, inclusive o Brasil, vêm aceitando cada vez mais a homossexualidade como parte da sociedade, portanto, passível de lei e de respeito. Particularmente eu apoio totalmente os direitos gays e principalmente a nova lei, que permite a união legal entre companheiros do mesmo sexo. Mas será que aqui no Egito também existe esta aceitação?

Claro que não!!!!

Bandeira Gay

Primeiramente por ser um país muçulmano, o Egito não tolera, aceita ou respeita a homossexualidade. Não existem leis específicas para isso, porém, outras leis que citam comportamentos obscenos e libertinagem são usadas para punir os acusados.

A religião islâmica é extremamente contrária a homossexualidade e possui Sharias (leis religiosas) específicas contra os atos homossexuais, passíveis inclusive de apedrejamento seguido de morte.

Em Maio de 2011, 52 homens que faziam uma festa em um barco navegando pelo Rio Nilo foram presos acusados de atos homossexuais e orgias aqui mesmo no Egito. Bom, o barco chamava-se “Queem Boat” (Barco Rainha), daí você já advinha que tipo de festinha estava rolando. Estes homens foram torturados pela polícia e 23 deles condenados à cerca de 3 anos de prisão. Relatos afirmam que as partes íntimas traseiras dos rapazes forma submetidas à inspeção médica, a fim de comprovar a homossexualidade dos mesmos.

O mesmo aconteceu em 2008, quando 5 homens foram detidos por “praticas

Egípcios presos por homossexualidade

profanas” e condenados à prisão. Afirma-se que por serem portadores de HIV, os egípcios foram tidos como homossexuais (????) e também sofreram de torturas sexuais para que pudesse comprovar relações anais. Aqui devo confessar que me bateu uma certa curiosidade sobre as técnicas utilizadas para a comprovação. Ânus têm hímem????

Bom, dito isso, vêm a parte que me cabe, ou seja, minha experiência e ponto de vista…

Não precisa ser muito observador para perceber que a homossexualidade está explícita na população egípcia. Basta você caminhar pelas ruas para perceber jovens praticando comportamentos duvidosos. E não, não estou me referindo ao comportamento tradicional dos árabes (homens) de dar beijinho na bochecha ou andar de braços dados. Refiro-me á forma de andar, de dançar e até de vestir dos mesmos. Postura!!!

Como aqui no Egito, sexo antes do casamento é considerado haram (pecado), muitos meninos iniciam suas atividades sexuais com os amigos. Isso não sou eu que estou dizendo. Existem centenas de pesquisas à respeito. Assim como as meninas praticam sexo anal para não perder a virgindade.

Ora, não podemos ocultar o fato que no período da puberdade, os instintos sexuais começam a aflorar e as necessidades físicas passam a ser de certa forma, incontroláveis. Principalmente no sexo masculino. Como estes rapazes nem chegam perto sequer do sexo oposto, nada mais cabível que a curiosidade seja suprida pelo amiguinho.

Uma vez praticado o ato… Já era!!! Hehehehe (brincadeira)

O que eu penso que ocorre, é que muitos destes garotos contin­­uam a praticar a homossexualidade até o casamento ao menos. Depois disso a moralidade religiosa passa a ser prioritária, já que a necessidade sexual é transferida para a esposa (pobrezinha).

O problema é que muitos deles demoram a casar. Ou ainda, não casam nunca. Como fazer então? Aqui não tem prostíbulo. Ao menos não assim como no Brasil. Sim, existem prostitutas, mas você acha que um egípcio de classe baixa tem condição de pagar??? Nem pensar! A saída é o melhor amigo mesmo.

É comum você sair à noite e ver grupos de homens juntos caminhando pelas ruas badalando pelo Cairo. Caçando??? Que nada. Não tem mulher na rua. Pelo menos não desacompanhada. Eles ficam a madrugada inteira rodando pelos lugares mais populares sem nenhuma chance de “se dar bem”, sem ter o que fazer. Qual assunto deles? Não faço a mínima idéia. Mas o que percebo são constantes brincadeiras que envolvem abraços, tapinhas e um excesso de intimidade que para mim é totalmente desnecessário. ­

Eles andam nas motos para lá e para cá, em 3 ou até 4 passageiros num esfrega, esfrega que só pode ser no mínimo “excitante”. Agarradinhos na cintura um do outro (lá no Rio Grande, macho que é macho segura atrás na moto, ou então se equilibra na marra!! Rsrsrsr). Necessidade??? Hummmm, tenho minhas dúvidas…

Lógico que existe uma parte da sociedade mais moderninha. Ao freqüentar as casas noturnas do Cairo já é possível ver mulheres beeeeeem saidinhas. Mas geralmente os freqüentadores são jovens de classe alta que em sua maioria já moraram fora do país. Ocidentalizados. Estes, e alguns egípcios mais estudados admitem a homossexualidade e muitos até a aceita como parte da sociedade. Mas estas pessoas são a minoria egípcia.

O cidadão egípcio é preconceituoso quando se trata de sexualidade. Não que o Brasil não seja. Mas certamente é mais dividido quanto ao assunto. Tanto que existem projetos de leis contra a discriminação.

Árabe gay

O fato é que assumir seu lado homossexual no Egito não é uma opção. Tanto a sociedade quanto a religião muçulmana não admite tal façanha. Então, se você perguntar por aqui, quase todos dirão a mesma coisa: – Não existem gays no Egito!!! Mas todos sabem que no fundo, isso não passa de uma hipocrisia.

O governo mascara a homossexualidade e a religião prega que é vergonha e pecado. O islã prega também, talvez para não parecer tão hipócrita, que no “caso” de existir um gay entre os muçulmanos, este poderá pedir perdão a Alah e procurar atendimento psiquiátrico para se curar. Nunca mais praticar sexo com o mesmo gênero e casar-se a fim de seguir as regras do Alcorão. Caso contrário…

Portanto, homossexualidade é tratada como doença, ou para os mais cultos, patologia. Passível de cura e de opção.

Mesmo os cristãos egípcios não admitem claramente a homossexualidade. Eles dizem que entendem e sabem que existam gays no Egito, mas não entre eles. São só os muçulmanos… Hahahaha.

Preconceitos à parte, as pesquisas estão disponíveis para quem quiser ver. Não existe país que não possua homossexuais. Desculpem-me àqueles que não concordam. O que ocorre é que devido às severas punições aplicadas e a vergonha social a que os gays são submetidos, torna-se impossível sair do armário. Isso vale para ambos os sexos.

Então, por aqui você pode vestir-se como tal, agir como tal, transar como tal. Mas nunca, jamais, assumir-se com tal.

Beijo à todos!!!

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    noreply@blogger.com (Fernanda Copatti)

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